Em um discurso marcado por tons de alerta e apelos diplomáticos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, neste sábado (20), que a América do Sul volta a ser “assombrada” pela presença militar de uma potência extrarregional. A declaração, feita durante a abertura da 67ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, refere-se à escalada de tensões entre os Estados Unidos, sob a gestão de Donald Trump, e a Venezuela de Nicolás Maduro.
Para Lula, o movimento de tropas e o bloqueio naval norte-americano no Caribe representam um teste aos limites do direito internacional. “Uma intervenção armada na Venezuela seria uma catástrofe humanitária para o hemisfério e um precedente perigoso para o mundo”, alertou o presidente brasileiro.
Os pontos centrais do embate geopolítico
O cenário descrito por Lula remete ao aumento da presença militar dos EUA na região desde agosto de 2025. Embora Washington tenha inicialmente justificado as operações como combate ao narcotráfico, a retórica subiu de tom com acusações de Trump sobre o “roubo” de petróleo e terras por parte de Caracas.
- Ameaça à Soberania: Lula comparou o momento atual ao clima da Guerra das Malvinas (1982), destacando que a estabilidade regional está sob risco.
- Mediação Brasileira: O petista revelou que pretende conversar novamente com Donald Trump antes do Natal. “Fica mais barato conversar do que fazer guerra”, afirmou Lula, colocando o Brasil como mediador para evitar um conflito armado.
- Racha no Bloco: A questão venezuelana evidenciou divergências internas no Mercosul. Enquanto o Brasil prega a cautela contra intervenções externas, o presidente da Argentina, Javier Milei, manteve uma postura crítica a Maduro, o que impediu a assinatura de uma declaração conjunta ao final do encontro.
Além das armas: O impasse com a União Europeia
A Cúpula em Foz do Iguaçu também deveria ter sido o palco da assinatura histórica do acordo entre Mercosul e União Europeia, mas o otimismo deu lugar à frustração.
Lula atribuiu o novo adiamento — agora previsto para janeiro de 2026 — à resistência política de países como França e Itália. “A Europa ainda não se decidiu”, declarou, mencionando que a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, apresentou obstáculos de última hora relacionados à proteção agrícola.
”As verdadeiras ameaças à nossa soberania se apresentam hoje sob a forma da guerra, das forças antidemocráticas e do crime organizado.” — Luiz Inácio Lula da Silva
Próximos passos da agenda regional
Com a saída de Lula da presidência temporária do bloco, o Paraguai, sob o comando de Santiago Peña, assume a liderança do Mercosul para o próximo semestre. Entre as prioridades acordadas estão a criação de uma comissão para coordenar o combate ao crime organizado e a tentativa final de selar o acordo com os europeus em janeiro.







