Em uma declaração marcada pelo tom de austeridade familiar e política, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva revelou detalhes de uma conversa que teve com seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o “Lulinha”, cujo nome surgiu em depoimentos e investigações da CPMI do INSS. Durante entrevista realizada nesta quinta-feira (5), o mandatário afirmou que não haverá proteção especial caso irregularidades sejam comprovadas.
”Olhei no olho dele e falei: ‘Só você sabe a verdade. Se você tiver alguma coisa, vai pagar o preço. Se não tiver, se defenda'”, afirmou Lula, reforçando que trata o tema com “muita seriedade”.
O foco das investigações
A CPMI do INSS, que retomou seus trabalhos nesta semana após o recesso parlamentar, apura um esquema bilionário de descontos indevidos em aposentadorias. O nome de Lulinha passou a orbitar o colegiado após a Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, levantar suspeitas de um suposto lobby em favor do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
Investigadores apuram se houve “sociedade oculta” ou influência política para facilitar a atuação de empresas que realizavam descontos sem autorização dos segurados. Até o momento, a defesa de Fábio Luís nega qualquer envolvimento e classifica as citações como “ilações sem base fática”.
Desdobramentos na CPMI
Apesar da pressão da oposição para convocar o filho do presidente, a base governista no Congresso tem conseguido, até o momento, barrar os requerimentos de convocação e de quebra de sigilo bancário. No entanto, o clima na comissão permanece tenso com os novos depoimentos previstos para este mês.
Os números da investigação até agora:
- R$ 1,2 bilhão: Volume estimado de movimentações financeiras incompatíveis.
- 108 empresas: Identificadas como suspeitas de integrar o esquema de fraudes.
- 48 quebras de sigilo: Já aprovadas pela comissão para outros envolvidos.
Próximos passos
O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), sinalizou que o relatório preliminar deve ser apresentado ainda em fevereiro. A comissão busca agora entender o fluxo de caixa que supostamente irrigava empresas de fachada e se havia conivência de altos escalões do setor público.
Lula, por sua vez, tenta blindar o governo do desgaste político, reiterando que a própria gestão foi quem deu início às apurações por meio da Controladoria-Geral da União (CGU). “A decisão de apurar foi do governo. Quem estiver envolvido, vai pagar o preço”, concluiu.




