O presidente Luiz Inácio Lula da Silva interrompeu seu período de descanso na base militar da Restinga da Marambaia, no Rio de Janeiro, para coordenar a resposta diplomática brasileira diante da escalada sem precedentes na crise venezuelana. A movimentação ocorre após a operação militar norte-americana, denominada “Absolute Resolve”, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, no último sábado (3).
Articulação de emergência e reconhecimento interino
Mesmo à distância, Lula manteve uma agenda intensa de reuniões virtuais com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira — que também interrompeu suas férias —, e com o ministro da Defesa, José Múcio. O foco central das discussões foi a manutenção da estabilidade na fronteira em Roraima e a definição da postura oficial do Brasil frente ao novo cenário político em Caracas.
No domingo (4), o governo brasileiro sinalizou pragmatismo ao reconhecer a vice-presidente Delcy Rodríguez como presidente interina da Venezuela. A decisão baseia-se no cumprimento da Constituição venezuelana diante da ausência do chefe de Estado. Lula chegou a conversar brevemente com Rodríguez para confirmar a situação de comando no país vizinho e reiterar a posição brasileira de defesa da soberania e condenação ao uso da força.
O cenário em Caracas e a resposta internacional
A operação coordenada pelo governo de Donald Trump envolveu mais de 150 aeronaves e ataques a alvos estratégicos na capital venezuelana. Enquanto Maduro foi levado para Nova York para enfrentar acusações de narcoterrorismo, as Forças Armadas da Venezuela declararam lealdade a Delcy Rodríguez.
Principais pontos da crise:
- Captura de Maduro: O líder venezuelano declarou-se “inocente” em audiência em Manhattan nesta segunda-feira (5).
- Controle dos EUA: Trump afirmou que os Estados Unidos pretendem “administrar” o país até que uma transição seja estabelecida, mencionando o interesse em reestruturar a indústria petrolífera local.
- Fronteira Brasileira: O Exército Brasileiro reforçou o monitoramento em Pacaraima (RR) para conter possíveis fluxos migratórios desordenados, embora a fronteira permaneça aberta.
Próximos passos
A previsão é que o presidente Lula desembarque em Brasília nesta terça-feira (6) para uma nova rodada de reuniões presenciais no Palácio do Planalto. O Itamaraty deve levar o caso ao Conselho de Segurança da ONU, defendendo uma saída mediada e criticando a intervenção militar unilateral, que Lula classificou anteriormente como uma “catástrofe humanitária”.







