Maduro e Cilia Flores declaram inocência em tribunal de Nova York após captura pelos EUA
Em um dos desdobramentos mais dramáticos da geopolítica recente, o líder venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, compareceram nesta segunda-feira (5 de janeiro de 2026) a um tribunal federal em Manhattan. Sob forte esquema de segurança e vestindo uniformes de detentos, o casal declarou-se “completamente inocente” perante o juiz distrital Alvin Hellerstein, de 92 anos.
A audiência ocorre apenas dois dias após uma operação militar sem precedentes realizada pelos Estados Unidos em Caracas, que resultou na captura e extradição imediata de Maduro para solo americano.
O depoimento na corte
Durante a sessão, Maduro manteve uma postura desafiadora. Falando por meio de um intérprete, ele afirmou ser vítima de um “sequestro internacional” e reiterou sua legitimidade no cargo.
”Eu sou inocente. Não sou culpado de nada do que está sendo mencionado aqui. Sou um homem decente e continuo sendo o presidente do meu país”, declarou Maduro ao juiz.
Ao deixar o tribunal para retornar à unidade de detenção no Brooklyn, ele ainda gritou em espanhol para os presentes: “Sou um prisioneiro de guerra!”. Cilia Flores também dispensou a leitura formal das acusações, declarando-se “não culpada”.
As acusações e o cenário jurídico
O governo dos Estados Unidos, representado pela procuradora-geral Pamela Bondi, acusa Maduro de liderar o chamado “Cartel de los Soles”. O indiciamento, que remonta originalmente a 2020, inclui crimes graves:
- Narcoterrorismo e conspiração para importar cocaína para os EUA;
- Uso e posse de armamento pesado, incluindo metralhadoras e dispositivos explosivos;
- Conspiração criminosa com grupos como as Farc e o ELN.
A defesa de Maduro, liderada pelo advogado Barry Pollack (conhecido por representar Julian Assange), questiona a legalidade da operação militar. Segundo Pollack, a captura viola o direito internacional e o devido processo legal, uma vez que não houve autorização do Conselho de Segurança da ONU.
Próximos passos
O juiz Hellerstein negou qualquer possibilidade de fiança neste momento, ordenando que o casal permaneça sob custódia federal. Uma nova audiência foi marcada para o dia 17 de março de 2026, quando devem ser apresentadas as primeiras provas volumosas do caso.
Enquanto isso, em Washington, o presidente Donald Trump afirmou a jornalistas que os EUA estão “no comando” da situação, enquanto o secretário de Estado, Marco Rubio, busca consolidar o reconhecimento de Edmundo González como o vencedor legítimo das eleições de 2024.







