Manejo integrado da soja: produtores e especialistas reforçam estratégia para sustentar recordes em 2026

O agronegócio brasileiro inicia 2026 sob o desafio de manter os patamares históricos alcançados no último ano, quando o país consolidou sua liderança global com a colheita de 169,5 milhões de toneladas de soja. Para garantir que o volume exportado — que ultrapassou a marca de 100 milhões de toneladas — não seja comprometido, o setor intensifica a adoção do Manejo Integrado de Pragas e Doenças (MIP/MID), estratégia que se provou vital diante da instabilidade climática recente.

O desafio fitossanitário em um clima mutável

A safra atual tem sido marcada por uma alternância severa entre períodos de veranico e chuvas intensas em regiões distintas do país. Esse cenário de diversidade climática favorece o surgimento precoce de pragas como o percevejo-marrom e a lagarta-falsa-medideira, além de doenças fúngicas persistentes como a ferrugem asiática.

Segundo especialistas da Embrapa e consultorias do setor, o uso isolado de defensivos químicos tem perdido eficiência devido à resistência adquirida pelos patógenos. A solução tem sido o retorno às bases do manejo integrado, que combina:

  • Monitoramento constante: Amostragens semanais para identificar o nível de dano econômico antes da aplicação.
  • Controle biológico: Uso de inimigos naturais e bioinsumos, mercado que cresceu dois dígitos no último ano.
  • Vazio sanitário e rotação: Medidas rigorosas para quebrar o ciclo de vida de fungos e insetos.

Inovação e biotecnologia no campo

As últimas novidades do setor em 2026 apontam para uma integração maior entre sensores de campo e inteligência artificial. Novas plataformas de monitoramento remoto agora permitem que o produtor identifique “manchas” de infestação via satélite ou drones, aplicando o defensivo apenas onde é necessário. Essa precisão não só prolonga a eficácia das moléculas químicas disponíveis no mercado, mas também reduz o custo operacional e o impacto ambiental.

“O manejo integrado não é mais uma opção, é a única via para a sustentabilidade econômica da soja. Em um ano de clima incerto, a prevenção e a diversidade de ferramentas de controle são o que separam o lucro do prejuízo”, afirma a rede de alerta fitossanitário.

Sustentabilidade e mercado externo

A manutenção do status do Brasil como principal fornecedor mundial de proteína vegetal depende da segurança fitossanitária. O mercado internacional, especialmente a União Europeia e a China, tem elevado as exigências quanto ao rastro de defensivos e práticas sustentáveis. O manejo integrado atende a essa demanda, permitindo que a soja brasileira chegue ao exterior com alta qualidade e menor carga de resíduos químicos.

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