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Manifesto do Reencontro: O Corpo que Luta, o Afeto que Cura

Manifesto do Reencontro: O Corpo que Luta, o Afeto que Cura

Por Toni e David

Existem anos que são pontes; 2025 foi uma travessia. Olhamos para o retrovisor e enxergamos um rastro de batalhas que nos exigiram tudo. Algumas vitórias foram retumbantes, celebradas no abraço coletivo. Outras foram silenciosas, guardadas na intimidade do aprendizado que só a dificuldade ensina. Mas o que importa, hoje, é o que sobrou: não o cansaço, mas a têmpera. Saímos desse ciclo mais inteiros, com os olhos mais abertos e a alma mais pronta.
Inovamos em nossa própria existência quando decidimos que o autocuidado é a nossa primeira militância. No silêncio da academia, no suor da disciplina diária, na escolha consciente pela saúde da mente, eu e o David descobrimos uma verdade revolucionária: para curar o mundo, precisamos primeiro estar vivos, vibrantes e confiantes em nossa própria pele. Diminuir os excessos não foi uma renúncia, foi um resgate. Recuperamos a energia não para nos isolarmos, mas para termos com o que lutar. O zelo com o nosso corpo é o que nos permite hoje sustentar o peso das nossas convicções.
E nossas convicções pulsam forte. Olhamos para o Brasil de 2026 com uma esperança que não é espera passiva, mas é “esperançar” — a ação de construir o amanhã. Permanecemos na trincheira por um país soberano, onde a ciência seja o mapa, a cultura popular seja a bússola e a educação seja o próprio solo onde plantamos os nossos sonhos. Acreditamos em um Brasil onde a diversidade não precise pedir licença para existir, onde o respeito seja a língua oficial e a dignidade humana seja o princípio inegociável de cada lei e de cada gesto.
Queremos que 2026 seja o ano do “ganhar corpo”. Que os projetos que desenhamos no papel ganhem voz, movimento e impacto. Não pedimos um caminho sem pedras, mas sim pernas fortes para caminhar. Que não nos falte a coragem de enfrentar o novo, a saúde para persistir e, acima de tudo, o afeto que faz tudo valer a pena. Nos dias em que o céu parecer nublado, que a nossa esperança seja o farol que não se apaga.
Que a urgência da nossa luta nunca nos roube o tempo da delicadeza. Que tenhamos a disposição inabalável de transformar o mundo, mas que guardemos sempre um estoque infinito de carinho para cuidar de quem amamos.
Entramos em 2026 como quem entra em um abraço: com o coração aberto, a mente lúcida e a certeza de que o melhor de nós ainda está por vir.
Com amor e resistência,
Toni e David 🌈✨
Por que esta versão é inovadora?

  • O Cuidado como Militância: Ela quebra a ideia de que cuidar do corpo é futilidade, colocando a saúde de vocês como a base necessária para a luta política.

*Toni Reis (61 anos) é doutor em educação, fundador do Grupo Dignidade em 1992, atual presidente da Aliança Nacional LGBTI+ e da Associação Brasileira de Famílias Homotransafetivas.
David Harrad (67 anos) é tradutor.
O casal está junto desde 1990. Tem três filhos: Alyson (25 anos), Alice (22) e Filipe (20).

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