O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, respondeu formalmente à carta enviada pelo senador e pré-candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ). No documento, o chefe da diplomacia do governo de Donald Trump manteve a linha dura de Washington ao defender a aplicação de uma nova tarifa de 25% sobre mercadorias importadas do Brasil, medida que vem sendo chamada de “tarifaço”, além de manter críticas a questões comerciais e financeiras brasileiras, incluindo o Pix.
A manifestação de Rubio ocorre em resposta a um apelo feito por Flávio Bolsonaro no início de junho, após o parlamentar realizar uma visita à Casa Branca. Na ocasião, o senador brasileiro argumentou que sanções ou barreiras econômicas mais rígidas impostas pelos EUA poderiam causar “sérios danos” à população e à economia do país. Flávio também aproveitou a correspondência anterior para traçar um cenário pessimista sobre a atual situação fiscal do Brasil e indicar que, caso venha a vencer a eleição presidencial de outubro, alinhará rapidamente uma equipe de transição com o governo americano.
Apesar da proximidade política mútua com o movimento bolsonarista, o secretário americano indicou que a postura protecionista dos Estados Unidos nas investigações comerciais (com base na chamada Seção 301) está mantida. Rubio citou a existência de “diferenças substanciais” a serem resolvidas entre as duas nações, apontando fatores como tarifas preferenciais injustas, barreiras ao acesso ao mercado de etanol, desmatamento ilegal e problemas na proteção da propriedade intelectual — contextualizando o próprio Pix dentro das preocupações de Washington.
Por outro lado, o secretário de Estado referendou e defendeu a recente designação de facções criminosas brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas por parte dos EUA. De acordo com o líder diplomático, a classificação é essencial para sufocar as redes financeiras, de armas e de drogas que alimentam o crime organizado transnacional no hemisfério. Flávio Bolsonaro já havia elogiado a medida, classificando-a como “um passo decisivo para a proteção dos cidadãos honestos”.
Em um aceno político à corrida eleitoral no Brasil, Marco Rubio afirmou que os Estados Unidos seguem prontos para colaborar diretamente com o “líder escolhido pelo povo brasileiro nas eleições” de modo a buscar investimentos bilaterais que tragam benefícios mútuos. Ele lembrou ainda que haverá uma audiência pública sobre a proposta de ação comercial responsiva no próximo dia 6 de julho, abrindo espaço para a participação de partes interessadas brasileiras no período de comentários públicos.
O secretário encerrou o texto sinalizando a intenção de dar continuidade aos diálogos e ao aprofundamento estratégico mútuo, finalizando com a mensagem: “Que Deus abençoe os Estados Unidos e o Brasil”.
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