MEC e Instituto Alana avaliam um ano de restrição de celulares nas escolas

O Ministério da Educação (MEC) anunciou nesta semana a realização de uma pesquisa nacional para medir os impactos da Lei Federal nº 15.100/2025, que restringe o uso de aparelhos celulares e dispositivos eletrônicos nas escolas brasileiras. A iniciativa marca o primeiro aniversário da legislação, sancionada em 13 de janeiro de 2025, e busca coletar dados concretos sobre a aprendizagem e o bem-estar dos estudantes após um ano de vigência da norma.

​O estudo será desenvolvido em parceria com o Instituto Alana, organização referência na defesa dos direitos de crianças e adolescentes. Segundo o ministro da Educação, Camilo Santana, o levantamento é fundamental para o aprimoramento das políticas públicas de educação digital. “O Brasil é o segundo país onde as pessoas passam mais tempo em frente às telas. Esse excesso causa ansiedade e déficit de atenção. Queremos que a escola seja, acima de tudo, um espaço de aprendizagem e convivência real”, afirmou o ministro.

​O que diz a lei e as primeiras evidências

​A Lei nº 15.100 proíbe o uso de celulares durante as aulas e também nos intervalos (recreio), permitindo exceções apenas para fins estritamente pedagógicos, questões de acessibilidade (como alunos com deficiência que utilizam tecnologias assistivas) ou emergências de saúde.

​Relatórios preliminares de redes estaduais e municipais que já aplicavam restrições semelhantes apontam resultados promissores:

  • Aumento da concentração: Cerca de 80% dos estudantes afirmaram ter menos distrações, especialmente em disciplinas como Matemática.
  • Melhora na socialização: Educadores relatam que os alunos voltaram a interagir fisicamente durante o recreio, utilizando jogos de tabuleiro e atividades esportivas em vez de apenas “scrolar” redes sociais.
  • Saúde Mental: Houve uma redução nos casos relatados de cyberbullying dentro do ambiente escolar e uma melhora nos índices de ansiedade associados à pressão das notificações constantes.

​Próximos passos

​A pesquisa será aplicada ao longo do primeiro semestre de 2026. Além de ouvir professores e gestores, o MEC disponibilizou guias práticos e materiais de conscientização para ajudar as famílias e escolas a lidar com a transição.

​Embora o início da proibição tenha gerado resistência por parte de alguns estudantes, depoimentos coletados por agências de notícias mostram que a adaptação está ocorrendo. Alunos como Nicolas Lima, de 15 anos, admitem que, sem o aparelho, a aproximação com colegas tornou-se mais natural. “No primeiro dia sem celular, acabei fazendo um amigo novo porque não tinha mais a tela para me esconder”, relatou o jovem.

​Os resultados finais da pesquisa devem nortear futuras diretrizes do Conselho Nacional de Educação (CNE) sobre a integração equilibrada da tecnologia no ensino básico, garantindo que o digital seja uma ferramenta de suporte, e não uma barreira ao desenvolvimento humano.

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