Nos últimos meses, as redes sociais tornaram-se palco de uma perigosa onda de desinformação. Vídeos virais e influenciadores sem formação médica passaram a questionar a segurança dos fotoprotetores, alegando, sem qualquer embasamento científico, que o produto causaria doenças como o câncer ou deficiência grave de vitamina D.
Para combater essa “infodemia”, especialistas e órgãos de saúde, como a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), reforçaram o alerta: a falta de proteção é o principal fator de risco para o câncer de pele, o tumor de maior incidência no Brasil. Segundo o INCA (Instituto Nacional de Câncer), estimam-se mais de 220 mil novos casos da doença por ano no país.
10 Dúvidas comuns e mitos desmascarados
Para esclarecer os pontos que mais geram confusão, compilamos as principais respostas baseadas em evidências científicas:
- O filtro solar causa câncer? Não. Pelo contrário, ele previne. O mito surgiu de interpretações erradas sobre componentes como a oxibenzona. Estudos em humanos não comprovam toxicidade nas doses utilizadas em cosméticos aprovados pela Anvisa.
- Pele negra precisa de protetor? Sim. Embora a melanina ofereça uma proteção natural, ela não é total. Peles retintas também sofrem danos de radiação UVA e estão sujeitas a manchas e ao melanoma.
- O protetor impede a absorção de Vitamina D? Mito. Na prática diária, ninguém aplica a quantidade perfeita ou cobre 100% do corpo. A radiação que “escapa” é suficiente para a síntese da vitamina.
- Posso usar o protetor do ano passado? Cuidado. Se estiver vencido ou tiver ficado exposto ao sol/calor (como dentro do carro), a estabilidade dos filtros químicos fica comprometida.
- Maquiagem com FPS é suficiente? Raramente. Para atingir a proteção do rótulo, seria necessário aplicar uma camada muito grossa de base. O ideal é usar o protetor por baixo da maquiagem.
- O sol “cura” a acne? Mentira. O sol causa um ressecamento momentâneo, mas gera o “efeito rebote” (aumento da oleosidade depois) e fixa as manchas das espinhas.
- Quem trabalha em escritório precisa usar? Sim. A radiação UVA atravessa vidros de janelas, e a luz visível (telas e lâmpadas) contribui para o surgimento de manchas como o melasma.
- Protetor caseiro funciona? Jamais. Receitas com óleo de coco ou zinco caseiro não possuem estabilidade molecular e deixam a pele vulnerável a queimaduras graves.
- Basta passar uma vez ao dia? Não. O produto perde a eficácia com o suor e o tempo. A recomendação é reaplicar a cada 2 ou 3 horas.
- O “bronzeamento saudável” existe? Não sob o sol. O bronzeado é uma resposta de defesa da pele ao dano no DNA celular. O único bronzeado seguro é o de cremes autobronzeadores.
O perigo dos “influenciadores de saúde natural”
As notícias falsas mais recentes sugerem que “comer alimentos específicos” substituiria o uso do filtro solar. Dermatologistas explicam que, embora uma dieta rica em antioxidantes ajude na recuperação da pele, ela não bloqueia os fótons de luz que causam mutações genéticas.
A recomendação oficial permanece clara: o uso diário de filtro solar com, no mínimo, FPS 30 é a medida mais eficaz e barata para evitar o envelhecimento precoce e salvar vidas contra o câncer de pele.
Nota: Antes de suspender o uso de qualquer produto ou seguir dicas de redes sociais, consulte sempre um médico dermatologista registrado no CRM.







