Um laudo pericial elaborado por médicos da Polícia Federal e divulgado nesta sexta-feira (6) aponta que o quadro de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro demanda cuidados constantes, mas concluiu que as patologias apresentadas podem ser tratadas dentro da unidade prisional. Atualmente, Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão na “Papudinha”, ala destinada a policiais militares no Complexo da Papuda, em Brasília, por seu envolvimento na trama golpista de 2022.
A perícia foi uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para subsidiar sua decisão sobre o pedido de prisão domiciliar protocolado pela defesa do ex-presidente por razões humanitárias. Os advogados alegam uma “piora acentuada” no estado de saúde do cliente, relatando crises de soluços e episódios de vômito.
Diagnósticos e Recomendações
Embora os médicos tenham descartado quadros de depressão ou pneumonia aspirativa, o laudo identificou sete doenças crônicas:
- Hipertensão arterial sistêmica;
- Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) grave;
- Obesidade clínica;
- Aterosclerose sistêmica;
- Doença do refluxo gastroesofágico;
- Queratose actínica (lesões de pele);
- Aderências (bridas) intra-abdominais.
Apesar da lista extensa, o relatório técnico afirma que a estrutura da Papudinha é suficiente para o monitoramento, desde que sejam adotadas adaptações. Entre as recomendações dos peritos estão a instalação de grades de apoio em corredores e banheiros, a colocação de campainhas de pânico no alojamento e a garantia de fisioterapia contínua e dieta fracionada.
Próximos Passos Jurídicos
Com a entrega do laudo, o ministro Alexandre de Moraes abriu um prazo de cinco dias para que a defesa de Bolsonaro e a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestem sobre o documento.
”O laudo se limita a registrar a inexistência de indicação de internação hospitalar imediata, mas o quadro exige observância rigorosa de medidas assistenciais”, afirmaram os advogados de Bolsonaro em nota oficial.
A decisão de Moraes será crucial para definir se o ex-presidente continuará no regime fechado ou se poderá migrar para o regime domiciliar com tornozeleira eletrônica. Vale lembrar que Bolsonaro foi condenado pelo STF em setembro de 2025 por crimes como tentativa de golpe de Estado e organização criminosa armada.




