Mercado financeiro e Banco Central reduzem projeção de inflação para 4,02% em 2026

O mercado financeiro revisou para baixo, pela segunda semana consecutiva, a expectativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026. Segundo o Relatório Focus, divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (19 de janeiro de 2026), a projeção para a inflação no ano que vem recuou de 4,05% para 4,02%.

​O ajuste ocorre em um momento de cautela e manutenção da política monetária. Embora a projeção tenha caído, ela ainda permanece acima do centro da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3%. No entanto, o novo número (4,02%) está confortavelmente dentro do intervalo de tolerância, cujo teto é de 4,5%.

Cenário de juros e crescimento

​Para garantir a convergência dos preços à meta, os analistas consultados pelo Banco Central mantiveram a estimativa para a taxa Selic em 12,25% ao ano até o fim de 2026. Atualmente, a taxa básica de juros encontra-se em patamares elevados (15%), refletindo o esforço do Comitê de Política Monetária (Copom) em conter a demanda e ancorar as expectativas de longo prazo.

​Em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), o mercado manteve a previsão de crescimento de 1,80% para 2026, indicando um ritmo de expansão moderado. No câmbio, a estimativa para o dólar permanece estável em R$ 5,50 para o encerramento do mesmo período.

Perspectivas para os próximos anos

​O otimismo moderado para 2026 contrasta com a vigilância sobre os anos subsequentes. De acordo com os dados mais recentes do Focus:

  • 2027: A projeção de inflação manteve-se em 3,80% pela 11ª semana seguida.
  • 2028: Houve uma revisão para cima na Selic esperada, que subiu de 9,88% para 10,00%, sinalizando que o mercado prevê juros em patamares de dois dígitos por um período mais prolongado do que o antecipado anteriormente.

​Especialistas apontam que a redução na projeção do IPCA para 2026 reflete uma leitura mais favorável dos preços administrados e uma possível desaceleração na inércia inflacionária, embora o cenário fiscal e as pressões globais continuem no radar das instituições financeiras.

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