Após décadas de negociações marcadas por avanços e recuos, o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE) entra em uma fase decisiva. O tratado visa criar uma das maiores zonas de livre comércio do planeta, conectando cerca de 718 milhões de consumidores e integrando economias que, somadas, representam um PIB de aproximadamente US$ 22 trilhões.
Um gigante econômico em formação
O acordo não é apenas sobre a redução de tarifas de importação; trata-se de uma integração estrutural que redefine as cadeias globais de valor. Para o Brasil e seus parceiros de bloco (Argentina, Uruguai e Paraguai), a parceria significa o acesso facilitado a um mercado de alto poder aquisitivo e exigência técnica elevada.
Os números do impacto:
- População atingida: Mais de 700 milhões de pessoas.
- PIB combinado: Cerca de 20% da economia mundial.
- Redução tarifária: Previsão de eliminação de taxas para mais de 90% dos bens comercializados entre os dois blocos.
Novidades recentes: O sprint final e os novos desafios
Apesar do otimismo econômico, o texto enfrenta resistências políticas significativas. Recentemente, o foco das discussões mudou de questões puramente alfandegárias para exigências ambientais e sustentabilidade.
- O “Side Letter” Ambiental: A União Europeia apresentou protocolos adicionais exigindo compromissos mais rígidos contra o desmatamento e em conformidade com o Acordo de Paris. O governo brasileiro, por sua vez, tem trabalhado para garantir que essas exigências não se tornem barreiras protecionistas disfarçadas.
- Resistência Europeia: Setores agrícolas de países como França e Áustria continuam a pressionar seus governos contra o acordo, temendo a competitividade da carne e dos grãos sul-americanos.
- Modernização de Compras Públicas: Um dos pontos mais recentes na pauta de 2024-2025 é a proteção às empresas nacionais em licitações públicas, um tema que o Brasil defende para garantir o desenvolvimento industrial interno.
“Este acordo é um divisor de águas. Ele obriga o Mercosul a elevar seus padrões de produção e oferece à Europa uma alternativa estratégica de fornecimento em um mundo cada vez mais polarizado entre EUA e China.” — Analista de Comércio Exterior.
Perspectivas para o futuro próximo
A expectativa é que as assinaturas finais ocorram após ajustes técnicos nos capítulos de compras governamentais e na validação das salvaguardas ambientais. Se ratificado, o acordo permitirá que produtos como vinho, queijo e maquinário europeu cheguem mais baratos ao Brasil, enquanto a agroindústria e o setor de serviços sul-americano ganharão uma vitrine sem precedentes na Europa.




