Ministério Público investiga Nelson Wilians e esquema de fraude fiscal de R$ 3,8 bilhões no ICMS de São Paulo

​Uma grande operação conjunta do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) foi deflagrada para desarticular um esquema bilionário de fraudes fiscais na Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo (Sefaz-SP). Batizada de Operação Distrato, a ação cumpre 38 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo e Paraná. O principal alvo das investigações é o grupo econômico e endereços ligados ao conhecido advogado Nelson Wilians.

​A ofensiva é coordenada pelo Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (Cira-SP) — que reúne o MP-SP, a Sefaz-SP, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e as polícias Civil e Militar. Os mandados foram cumpridos na casa de Nelson Wilians, localizada no bairro nobre dos Jardins, na capital paulista, e em escritórios do grupo. No Paraná, a operação mirou a advogada Mayra de Paula, apontada pelas investigações como “sócia” de Wilians nas fraudes em Londrina.

​Como funcionava o esquema de créditos falsos

​Segundo as investigações do Ministério Público, escritórios de advocacia e consultorias tributárias ligadas ao grupo simulavam a existência de créditos de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) para oferecê-los a centenas de empresas — em especial de médio e pequeno porte — sob a promessa de reduzir de forma expressiva o imposto devido ao Estado.

​Na prática, as empresas compradoras desses créditos irregulares deixavam de recolher integralmente o ICMS ao Fisco paulista. Em contrapartida, pagavam honorários de êxito considerados abusivos para os escritórios envolvidos, que chegavam a até 70% do valor do imposto que deixou de ser pago. Quando as empresas eram multadas pela fiscalização, os operadores do esquema simulavam telas do sistema da Sefaz para fazer parecer que os débitos haviam sido quitados de forma regular, enganando os próprios clientes.

​A Secretaria da Fazenda de São Paulo informou que instaurou centenas de procedimentos fiscais. Até o momento, foram lavrados autos de infração contra 752 empresas que participaram das transações fraudulentas, somando valores que superam R$ 3,8 bilhões cobrados em créditos tributários.

​Histórico de investigações e ostentação

​Esta não é a primeira vez que Nelson Wilians entra no radar da Justiça. Em setembro do ano passado, o advogado foi alvo de uma operação da Polícia Federal que apurava fraudes e desvios no INSS. Na ocasião, foram apreendidos em suas propriedades bens de luxo como carros importados (incluindo Ferrari, Porsche e Rolls-Royce), obras de arte e até uma réplica de um carro de Fórmula 1 de Ayrton Senna.

​De acordo com o Ministério Público, a ostentação do advogado — que frequentemente se deslocava de helicóptero e utilizava carros importados para reuniões com clientes — servia como chamariz e conferia uma falsa aparência de credibilidade e legitimidade aos negócios fraudulentos oferecidos pelo seu grupo.

​A operação atual busca colher novas provas, rastrear o fluxo financeiro para identificar os beneficiários finais e responsabilizar os envolvidos por crimes contra a ordem tributária, organização criminosa, estelionato, falsidade documental e lavagem de dinheiro.

​Posicionamento da defesa

​Em nota oficial divulgada logo após o início das buscas, o escritório Nelson Wilians afirmou que “recebeu o cumprimento da medida de busca e apreensão com serenidade, transparência e absoluto espírito colaborativo”. A defesa destacou ainda que a banca permanece à total disposição das autoridades competentes e atuando de forma proativa para o completo esclarecimento de todos os fatos.


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