Ministro Flávio Dino intima presidentes de 21 partidos a esclarecer controle e destinação de emendas após declarações de Valdemar Costa Neto

​O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que as direções nacionais de 21 partidos políticos com representação no Congresso Nacional expliquem, no prazo de até dez dias úteis, se os dirigentes partidários possuem cotas, reservas ou interferem de forma direta na destinação de emendas parlamentares ao Orçamento Geral da União.

​A decisão foi motivada por declarações recentes do presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto. O dirigente partidário afirmou publicamente que atua sugerindo e direcionando a destinação de emendas para prefeituras que não possuem canais diretos de diálogo com deputados federais, classificando a prática como “natural e legítima” no jogo político democrático.

​No entanto, para o ministro Flávio Dino, relator das ações que questionam a transparência das emendas na Suprema Corte, a suposta interferência de dirigentes partidários — que muitas vezes sequer exercem mandato legislativo — na distribuição de verbas públicas federais representa uma “novidade relevante”. Dino destacou que o processo que tramita no STF desde 2021 sobre a rastreabilidade e a transparência do orçamento não possui registros dessa modalidade de controle extraparlamentar.

​O teor da intimação e os partidos envolvidos

​No despacho, Flávio Dino exige que as siglas esclareçam se existem normas internas, atas ou documentos formais que regulamentem a distribuição dessas verbas, além de detalharem os procedimentos adotados para a definição dos municípios beneficiados.

​Foram intimados a prestar esclarecimentos os seguintes partidos:

  • ​Avante, Cidadania, MDB, Missão, Novo, PCdoB, PDT, PL, Podemos, PP, PRD, PSB, PSD, PSDB, PSOL, PT, PV, Rede, Republicanos, Solidariedade e União Brasil.

​Contexto de investigações e cerco às emendas

​As declarações de Valdemar Costa Neto ocorreram em um momento de forte pressão sobre o controle das verbas orçamentárias. Recentemente, a Polícia Federal apontou indícios de uma atuação clandestina de dirigentes partidários e ex-parlamentares na intermediação de recursos públicos. O próprio presidente do PL foi alvo de uma medida cautelar de bloqueio de bens sob a suspeita de direcionamento irregular de verbas, embora ele defenda que suas ações buscam apenas dar assistência a municípios necessitados e apoie a necessidade de transparência nos repasses.

​Paralelamente, relatórios recentes da Controladoria-Geral da União (CGU) têm apontado graves problemas de controle na execução de emendas destinadas a estados e municípios, incluindo indícios de sobrepreço, falta de transparência e direcionamento ilícito de contratos.

​Diante desse cenário, Dino também determinou o envio das informações coletadas à Advocacia-Geral da União (AGU) e a órgãos de fiscalização da área da saúde, com o objetivo de apurar eventuais responsabilidades civis e administrativas e garantir a recuperação de recursos que tenham sido desviados.


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