Nesta quinta-feira, 15 de janeiro de 2026, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinou a transferência imediata do ex-presidente Jair Bolsonaro da Superintendência da Polícia Federal para o 19º Batalhão da Polícia Militar, no Complexo da Papuda. A decisão ocorre em meio ao cumprimento da pena de 27 anos e 3 meses de prisão à qual Bolsonaro foi condenado por tentativa de golpe de Estado.
A mudança foi motivada, ironicamente, por reclamações da própria defesa e dos filhos do ex-presidente, que alegavam que as instalações na PF (uma sala de 12 m²) não possuíam “condições mínimas de dignidade” e que o ruído do ar-condicionado prejudicava a saúde do custodiado.
Estrutura e “Privilégios” na nova cela
Ao rebater as críticas da defesa, Moraes destacou que Bolsonaro já gozava de condições “absolutamente excepcionais” e listou 13 privilégios que ele mantinha, como alimentação caseira e visitas exclusivas. Com a transferência para a unidade conhecida como “Papudinha”, o ex-presidente passará a ocupar um espaço significativamente maior.
O embate jurídico sobre a prisão domiciliar
A transferência também atende a uma necessidade médica. Devido ao histórico de saúde de Bolsonaro — que inclui cirurgias decorrentes da facada de 2018 e um recente traumatismo craniano leve após uma queda na cela em 7 de janeiro —, a nova unidade permitirá a realização de fisioterapia noturna e o uso de equipamentos de ginástica, o que não era viável na sede da PF por questões de segurança.
Apesar da melhoria nas condições, a defesa de Bolsonaro continua pleiteando a prisão domiciliar humanitária, argumentando que o ex-presidente, atualmente com 70 anos, apresenta riscos clínicos concretos. Moraes, contudo, reiterou que as condições atuais na Papudinha são superiores às de quase 400 mil detentos no país e que a custódia em Sala de Estado Maior garante a segurança e as prerrogativas do cargo que ele ocupou.




