Politica

Motta analisa cenário de 2026 e vê esquerda mais organizada que a direita

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), quebrou o silêncio sobre o xadrez político para as eleições de 2026, oferecendo uma análise pragmática sobre o estágio de preparação dos principais campos políticos do país. Em declarações recentes, o parlamentar evitou declarar apoio direto, mas não poupou observações sobre a força do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e as incertezas que cercam a oposição, hoje personificada na figura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como um dos possíveis herdeiros do capital político do pai.

​A força de Lula e a organização da esquerda

​Para Motta, o cenário atual favorece o campo progressista no quesito estratégia. Segundo o deputado, a esquerda já se encontra “blocada” e unida em torno da tentativa de reeleição de Lula. “A esquerda está muito mais organizada do que a direita em relação à corrida presidencial”, afirmou Motta durante conversa com jornalistas.

​Ele destacou que o governo conseguiu reposicionar seu discurso, especialmente em temas de soberania e entregas administrativas, o que projeta um Lula “vindo com força” para o pleito. Na visão do presidente da Câmara, a ausência de múltiplas candidaturas competitivas no campo da esquerda — ao contrário de eleições passadas que contavam com nomes como Ciro Gomes — consolida a unidade em torno do atual ocupante do Planalto.

​Flávio Bolsonaro e o dilema da direita

​Enquanto o governo caminha com um nome definido, a oposição enfrenta o que Motta classifica como uma “desorganização” estratégica, motivada principalmente pela situação de inelegibilidade de Jair Bolsonaro. Embora o nome de Flávio Bolsonaro surja naturalmente como uma opção de continuidade da linhagem bolsonarista, o presidente da Câmara acredita que a direita ainda tateia o terreno.

​Motta avalia que a definição do campo conservador dependerá umbilicalmente das decisões que o ex-presidente Jair Bolsonaro tomará sobre quem apoiar. “A direita ainda deve consolidar suas estratégias. Não se sabe quem ele [Jair] vai apoiar”, pontuou. Para ele, nomes como o de Flávio ou o do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) são fortes, mas o desenho real só deve começar a aparecer a partir de janeiro de 2026.

​Neutralidade estratégica no comando da Casa

​Apesar das análises, Hugo Motta faz questão de reforçar que sua posição institucional exige distanciamento. Ao ser questionado se manteria uma neutralidade absoluta, ele foi enfático: “Não é neutralidade. Acho que a política não tem neutralidade, ela exige posicionamento. Mas tenho buscado não deixar essa questão eleitoral interferir nas decisões que eu tomo”.

​O parlamentar argumenta que exteriorizar uma preferência política agora “atrapalharia o dia a dia” da condução da Câmara. Sua estratégia é manter o diálogo com ambos os polos para garantir a votação de pautas econômicas e de segurança pública, evitando que a “fadiga da polarização” paralise o Congresso antes da hora.

​O fiel da balança: o eleitor de centro

​Motta concluiu sua análise apontando que o vencedor de 2026 será quem tiver a habilidade de romper a dicotomia atual e dialogar com o eleitorado que não se sente representado nem pelo petismo, nem pelo bolsonarismo radical. Segundo ele, os partidos de centro observarão o cenário até o limite para decidir qual projeto oferece maior capacidade de “garantir entregas” ao país.

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