MPF-PR abre investigação sobre áudios que ligam Sanepar a “caixa dois” de Ratinho Jr.


Novas gravações revelam pressão sobre funcionários e cobranças para pagar rombo de R$ 4 milhões; oposição intensifica cobranças por transparência no Palácio do Iguaçu.
O escândalo envolvendo a Sanepar e o governo de Ratinho Jr. (PSD) ganhou contornos oficiais esta semana. O Ministério Público Federal no Paraná (MPF-PR) confirmou a abertura de uma apuração preliminar para investigar denúncias de desvios de recursos e práticas de “caixa dois” que teriam servido para quitar dívidas da campanha eleitoral do governador.
A investigação baseia-se em novos áudios vazados e divulgados pelo portal O Diário de Maringá, que expõem um ambiente de coerção e intimidação dentro da companhia estadual de saneamento.
Pressão e pedidos de dinheiro: as novidades do caso
As conversas inéditas reforçam a tese de que existia um “método de arrecadação” forçada. Segundo as denúncias, funcionários e ocupantes de cargos comissionados eram pressionados a realizar contribuições financeiras sob ameaça de exoneração ou retaliação. O objetivo central seria cobrir um rombo de R$ 4 milhões acumulado durante a última corrida eleitoral do atual governador.
Os áudios revelam frases que sugerem que o “esgoto político” da empresa estaria diretamente conectado ao Palácio do Iguaçu, mencionando nomes de articuladores políticos e diretores da Sanepar como peças-chave no esquema de cobrança.
Reação política e órgãos de controle
A oposição na Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), liderada por parlamentares como Arilson Chiorato (PT), protocolou formalmente os áudios e documentos nos órgãos de controle. Além do MPF, o caso deve ser levado ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR).

  • Pedido de Informações: Foi enviado um requerimento à Casa Civil exigindo detalhes sobre contratos e nomeações citadas nos áudios.
  • Críticas à Gestão: Parlamentares acusam o governo de usar a Sanepar — uma empresa de capital misto que lucra bilhões com tarifas públicas — como um “braço financeiro” para interesses partidários.
    O silêncio do governo e da Sanepar
    Enquanto as investigações avançam, o governador Ratinho Jr. tem evitado comentar diretamente o teor dos áudios, focando em agendas de infraestrutura e parcerias internacionais. A diretoria da Sanepar, por sua vez, afirma que a companhia possui rigorosos mecanismos de compliance e que as acusações têm motivação política.
    Contudo, com a entrada do MPF no caso, a pressão por explicações técnicas aumenta. Se comprovado o uso de cargos públicos para arrecadação de fundos eleitorais, o governo poderá enfrentar processos por improbidade administrativa e crime eleitoral, o que pode comprometer as pretensões políticas futuras do grupo governista.
    Atualizado em: 16 de janeiro de 2026.

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