Brasil

Mudanças no Imposto de Renda beneficiarão 73,5% dos professores e elevarão renda disponível

Uma nova configuração no Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF), sancionada recentemente pelo Governo Federal por meio da Lei nº 15.270/2025, promete um alívio financeiro histórico para os profissionais da educação básica no Brasil. Segundo um estudo detalhado do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgado nesta quarta-feira (17), a reforma beneficiará cerca de 1 milhão de docentes, o equivalente a 73,5% da categoria.

​A medida, que altera as faixas de tributação, terá um impacto direto no bolso dos professores a partir de janeiro de 2026. O principal avanço é a ampliação da isenção para quem recebe até R$ 5.000,00 mensais, além de um sistema de redução gradual para rendimentos que chegam a R$ 7.350,00.

​Os números do novo IRPF para o magistério

​De acordo com o Ipea, o cenário tributário para os professores mudará drasticamente. Antes da reforma, apenas 19,7% da categoria estava isenta do imposto. Agora, esse número saltará para 51,6%.

​”Para um professor que ganha o piso nacional, a economia gerada pela isenção equivale a cerca de R$ 5.079,84 anuais. Na prática, é como se o docente recebesse um 14º salário apenas com o que deixa de ser descontado em folha”, explica Paulo Nascimento, pesquisador do Ipea.

​Impacto nas redes pública e privada

​O estudo também revelou uma disparidade interessante entre os setores. Embora a rede pública concentre o maior número de profissionais, a rede privada sentirá o efeito de forma mais intensa em termos proporcionais:

  • Rede Privada: 82,2% dos professores passarão a ser isentos.
  • Rede Pública: 42,5% ficarão isentos (o percentual é menor devido à média salarial em alguns estados e no Distrito Federal ser superior à nova faixa de isenção).

​No Distrito Federal, por exemplo, onde os salários são os mais altos do país, a proporção de isentos deve dobrar, passando de 10% para 25%. Já em estados como o Pará e Goiás, a parcela de professores que permanecem na alíquota máxima ainda é considerável devido aos planos de carreira locais.

​Equilíbrio fiscal e próximas etapas

​Para compensar a renúncia de receita estimada em R$ 25,4 bilhões, o governo implementará uma taxação maior sobre as altas rendas (quem ganha acima de R$ 50 mil mensais), prevendo arrecadar cerca de R$ 34,1 bilhões em 2026.

​O ministro da Educação, Camilo Santana, destacou que a medida é um passo crucial para a valorização do magistério, tornando a carreira mais atrativa para os jovens, que têm evitado as licenciaturas nos últimos anos devido aos baixos salários líquidos.

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