Mulher é internada em estado grave após uso de canetas emagrecedoras clandestinas do Paraguai; Anvisa e PF intensificam fiscalização

Uma mulher de Belo Horizonte, identificada como Kellen Oliveira Bretas Antunes, permanece internada em estado grave após utilizar uma “caneta emagrecedora” adquirida ilegalmente e trazida do Paraguai. O caso, que acendeu um alerta nacional sobre o mercado clandestino de medicamentos injetáveis, revela uma rede perigosa de venda por redes sociais e aplicativos de mensagens, onde substâncias sem registro sanitário são oferecidas como alternativas baratas ao Ozempic e ao Mounjaro.

​O Caso e o Estado de Saúde

​Kellen foi hospitalizada inicialmente com fortes dores abdominais e sintomas de intoxicação. Segundo as investigações preliminares, a suspeita é que ela tenha desenvolvido uma síndrome de falência múltipla de órgãos ou uma reação grave a substâncias desconhecidas contidas na caneta. O medicamento foi comprado sem prescrição médica de um revendedor informal que alegava importar os produtos do país vizinho.

​Casos semelhantes têm se repetido em todo o país. Recentemente, no Rio de Janeiro e em Santa Catarina, pacientes foram parar na UTI após injetarem, sem saber, insulina no lugar de semaglutida (princípio ativo do Ozempic). Golpistas utilizam canetas de insulina descartadas e colam rótulos falsificados para enganar consumidores atraídos por preços até 70% menores que os das farmácias brasileiras.

​A Ofensiva das Autoridades

​Neste início de 2026, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e a Polícia Federal intensificaram o cerco contra as chamadas “canetas do Paraguai”. Somente nos últimos meses, resoluções específicas proibiram a importação e o uso de marcas como:

  • Lipoless e Lipoless Éticos
  • Tirzazep (Royal Pharmaceuticals)
  • T.G. 5 e T.G. Indufar

​Muitos desses produtos contêm tirzepatida manipulada sem controle de temperatura ou higiene, o que pode causar infecções graves e choques anafiláticos. Em Foz do Iguaçu, a Receita Federal tem realizado apreensões recordes de carregamentos escondidos em fundos falsos de veículos, transportados sem qualquer refrigeração, o que anula a eficácia do remédio e o torna tóxico.

​Alerta Médico e Jurídico

​Especialistas da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade (ABESO) reforçam que o uso dessas substâncias sem acompanhamento médico é uma “roleta russa”. Além do risco de morte, o paciente pode sofrer danos irreversíveis ao pâncreas e ao fígado.

​”O mercado clandestino se aproveita do desespero pelo emagrecimento rápido. No Paraguai, a própria vigilância sanitária local (Dinavisa) já emitiu alertas de que essas marcas vendidas em Ciudad del Este não possuem registro nem garantias de composição”, afirma a Dra. Amanda, endocrinologista consultada para esta reportagem.

​Como identificar um produto falso:

  1. Idioma: O rótulo e a bula devem estar obrigatoriamente em português. Se estiver em espanhol ou inglês, a venda é ilegal no Brasil.
  2. Preço: Valores muito abaixo de R$ 1.000,00 para canetas de última geração são indícios claros de fraude.
  3. Local de venda: Medicamentos injetáveis controlados nunca são vendidos pelo Instagram ou WhatsApp.
  4. Aparência: O botão de aplicação das canetas originais possui cores específicas (como cinza para Ozempic). Canetas com cores diferentes podem ser de insulina reaproveitada.

​A Polícia Civil de Minas Gerais segue investigando o fornecedor responsável pela venda à Kellen, que poderá responder por crime contra a saúde pública, com penas que podem chegar a 15 anos de reclusão.

Deixe um comentário