A diplomacia climática global sofreu um abalo sísmico nesta semana. O governo de Donald Trump formalizou a saída dos Estados Unidos da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), o tratado fundamental que sustenta o Acordo de Paris e as negociações globais há mais de três décadas. A decisão, anunciada em janeiro de 2026, não apenas retira a maior economia do mundo das mesas de decisão, mas consolida uma transferência sem precedentes de influência geopolítica e econômica para a China.
O Vácuo Americano e a Ascensão de Pequim
Enquanto Washington se retira de 66 organizações internacionais — incluindo órgãos científicos como o IPCC e a Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA) —, a China aproveita o momento para se posicionar como o “fiador” da estabilidade global.
No Fórum Econômico Mundial de Davos, que ocorre agora em janeiro de 2026, a delegação chinesa assumiu o protagonismo. Enquanto os EUA defendem o retorno aos combustíveis fósseis sob o argumento de soberania energética, a China apresenta números recordes:
- Domínio de Mercado: Em 2025, a China fabricou 92% dos módulos solares e 82% das turbinas eólicas do mundo.
- Exportações: As vendas de tecnologias limpas (EVs, baterias e painéis) atingiram o recorde de US$ 20 bilhões mensais no final de 2025.
- Diplomacia: Pequim tem usado o vácuo de liderança para fortalecer laços com o Sul Global, oferecendo tecnologia de transição energética enquanto os EUA cortam ajudas climáticas internacionais.
O Front Jurídico: Tribunais vs. Casa Branca
A saída da ONU ocorre em um momento em que a política climática de Trump enfrenta uma resistência feroz dentro do próprio território americano. O ano de 2025 registrou um recorde de litígios climáticos, com estados como Nova York, Califórnia e Washington processando o governo federal e empresas de petróleo por danos causados por eventos extremos.
”A retirada da UNFCCC é um presente para a China e uma carta de liberdade para poluidores que querem evitar responsabilidades”, afirmou o ex-enviado climático John Kerry.
Apesar das tentativas de Trump de “blindar” a indústria fóssil, tribunais federais têm bloqueado o congelamento de fundos já aprovados para resiliência climática. Em Seattle, juízes impediram o cancelamento de repasses para programas de proteção costeira, argumentando que mudanças administrativas repentinas criam um “caos desnecessário” para a segurança pública.
Davos 2026: O Novo Equilíbrio
Em Davos, o tema central — “Cooperação em um Mundo Contestado” — reflete o isolamento americano. Líderes europeus e asiáticos discutem agora como manter o fluxo de investimentos verdes sem a participação dos EUA, temendo que a ausência de Washington em futuras COPs (como a COP31 em 2026) desestabilize os mercados de carbono e aumente a volatilidade dos preços de energia.
A estratégia de Trump de focar no petróleo e gás pode trazer ganhos imediatos em custos internos, mas analistas alertam que o custo a longo prazo será a perda de competitividade na indústria que definirá o século XXI. Com a China dominando as cadeias de suprimento de baterias e minerais críticos, os EUA correm o risco de se tornarem meros consumidores de tecnologia estrangeira na inevitável transição energética global.







