Por, Julio Take
O cenário político e mediático do Paraná amanheceu sob o signo do debate sobre as prerrogativas do exercício jornalístico. A recente notificação extrajudicial enviada pela defesa do deputado federal e ex-secretário Sandro Alex ao jornal O Diário de Maringá reacendeu o alerta em entidades de classe e veículos de comunicação sobre o que especialistas chamam de “assédio jurídico” ou tentativa de silenciamento.
O cerne da questão reside na interpretação do que constitui o dever de informar. De acordo com a reportagem publicada pelo próprio O Diário, a notificação sustenta que o arquivamento de procedimentos administrativos deveria encerrar qualquer debate público sobre o tema. No entanto, o jornalismo paranaense reage, defendendo que o arquivamento não é sentença de mérito e que a função da imprensa é, precisamente, manter a vigilância sobre a coisa pública, independentemente de desfechos burocráticos.
Os Pontos de Conflito
A peça jurídica enviada ao jornal parece ignorar a diferenciação ética feita pelo veículo em sua cobertura. É importante destacar:
- Precisão Histórica: O jornal explicitou que os fatos narrados não ocorreram durante a gestão de Sandro Alex na Secretaria de Infraestrutura e Logística (SEIL).
- Dever de Contextualização: A reportagem apenas registrou o teor de investigações anteriores, um movimento padrão dentro do jornalismo político e investigativo.
- Liberdade vs. Intimidação: Para observadores do setor, a reação extrapola o legítimo Direito de Resposta, tentando classificar o questionamento jornalístico como “ataque pessoal” ou “difamação”.
O Panorama da Liberdade de Imprensa em 2026
Atualmente, o Brasil observa um aumento no uso de notificações extrajudiciais e processos em massa contra jornalistas de interior e de grandes centros. No caso do Paraná, a situação de O Diário de Maringá é vista como um caso pedagógico:
”Questionar não é difamar, e investigar não é atacar. Quando o poder público ou figuras políticas tentam usar o sistema jurídico para impor o silêncio, a sociedade perde seu principal mecanismo de transparência”, afirma a análise editorial do setor.
O jornal reiterou que respeita o contraditório, mas reafirmou que não aceitará a lógica de que fatos “incômodos” devam ser omitidos sob pena de retaliação judicial.
Solidariedade de Classe
Entidades de jornalismo e veículos parceiros expressaram apoio ao Diário de Maringá. O entendimento é que a tentativa de silenciar um veículo centenário e relevante para a região norte do estado fere não apenas a empresa, mas o direito do cidadão maringaense de ter acesso a narrativas que fujam dos canais oficiais de comunicação governamental.
Esta matéria baseia-se em fatos públicos e na defesa do exercício profissional garantido pela Constituição Federal. Não há, neste texto, imputação de crime aos citados, mas sim o registro de um conflito que envolve o interesse coletivo e a proteção da democracia.



