Relatórios recentes da Polícia Federal, que vieram a público em dezembro de 2025, traçam um diagnóstico sombrio e desolador sobre a realidade da segurança pública e das instituições no Rio de Janeiro. Em um documento que embasou operações de grande impacto, como a prisão do desembargador Macário Júdice e as investigações contra o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, delegados federais descrevem um cenário de “caos social diário” e a existência de um “Estado paralelo” que funde o poder público às organizações criminosas.
O “Estado Paralelo” e a Infiltração Institucional
O desabafo dos investigadores não é apenas um lamento emocional, mas uma análise técnica de como as facções — como o Comando Vermelho (CV) — e as milícias deixaram de ser apenas grupos externos para se tornarem agentes infiltrados no coração do Estado.
- No Poder Judiciário: A prisão do desembargador Macário Júdice, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, expôs suspeitas de que decisões judiciais estariam sendo negociadas para favorecer o crime organizado.
- No Poder Legislativo: A Operação Unha e Carne revelou indícios de que o presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar, teria atuado para obstruir investigações e vazar informações sobre operações policiais, como a Operação Zargun, que visava o então deputado e aliado TH Joias.
- Nas Forças de Segurança: Apenas na última semana, dois sargentos da PMERJ foram presos pela PF sob suspeita de vazar operações estratégicas contra facções, confirmando a dificuldade de manter o sigilo em ações de combate ao crime.
O Futuro: PL Antifacção e as Eleições de 2026
O clima de tensão entre a PF e a classe política se intensificou com o debate sobre o Projeto de Lei Antifacção. A PF manifestou preocupação com as alterações feitas pelo relator, deputado Guilherme Derrite, que limitam a atuação da Polícia Federal no combate a facções estaduais, condicionando-a à autorização de governadores — o que, para os delegados, pode gerar uma “blindagem” política para grupos criminosos.
Paralelamente, o novo presidente do TRE-RJ, desembargador Claudio de Mello Tavares, assumiu o cargo com a promessa de rigor absoluto para impedir que o crime organizado lance ou financie candidatos nas eleições de 2026, tentando quebrar o ciclo onde o voto é coagido pelo domínio territorial.







