O Ministério Público do Paraná (MPPR), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e da Promotoria de Justiça de Ibiporã, deflagrou nesta semana a Operação Miragem. A ofensiva visa desarticular um esquema de venda de lotes irregulares, crimes ambientais e falsidade ideológica que vinha ocorrendo na região norte do estado.
Durante a ação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados. O principal alvo, um empresário do setor imobiliário responsável pelo empreendimento, foi preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo e munições, além de ser o foco central das investigações sobre o parcelamento ilegal do solo.
Entenda o caso: a “Miragem” da casa própria
As investigações apontam que o loteamento, localizado em uma área rural de Ibiporã, era comercializado como se fosse um condomínio urbano regularizado. No entanto, o projeto não possuía as devidas autorizações da prefeitura nem dos órgãos ambientais.
Os principais pontos da investigação incluem:
- Loteamento Clandestino: A venda de terrenos sem registro imobiliário e sem infraestrutura básica exigida por lei.
- Crimes Ambientais: Intervenções em áreas de preservação sem licenciamento, causando danos à fauna e flora locais.
- Estelionato e Falsidade: O uso de publicidade enganosa para atrair compradores, prometendo uma regularização que, juridicamente, era inexistente.
Impacto para os compradores
O Ministério Público alerta que as vítimas que adquiriram terrenos no local podem enfrentar graves dificuldades jurídicas para obter a escritura dos imóveis. Além disso, as construções iniciadas na área correm o risco de demolição, uma vez que o loteamento fere o Plano Diretor do município.
”A operação busca não apenas punir os responsáveis, mas interromper a degradação ambiental e evitar que novos cidadãos sejam lesados por promessas de empreendimentos que não possuem viabilidade legal”, afirmou o MPPR em nota oficial.
Desdobramentos recentes
Com o material apreendido — que inclui documentos, contratos e dispositivos eletrônicos — o Gaeco agora trabalha para identificar se houve a conivência de agentes públicos na facilitação do negócio irregular. O empresário detido permanece à disposição da Justiça, e o Poder Judiciário determinou o bloqueio de bens dos envolvidos para garantir a futura reparação dos danos causados às vítimas e ao meio ambiente.







