Ouro e bitcoin dividem investidores em meio à euforia e incerteza global

Correção forte expõe posições congestionadas, mas ativos continuam sendo vistos como proteção antissistema, diz Ruy Alves

​A recente volatilidade nos mercados globais trouxe à tona uma comparação que, até pouco tempo, parecia improvável: o ouro, o milenar refúgio de valor, está se comportando de forma semelhante ao bitcoin. A análise é de Ruy Alves, gestor da Kinea Investimentos, que aponta para um movimento especulativo intenso que “congestionou” as posições no metal precioso, tornando-o suscetível a correções bruscas, típicas do mercado de criptoativos.

​Ouro “bitconizado” e a especulação

​Segundo Alves, o ouro passou a atrair um fluxo de capital que busca ganhos rápidos, distanciando-se temporariamente de sua característica histórica de baixa volatilidade. “O ouro virou praticamente bitcoin”, afirmou o gestor, referindo-se à forma como o mercado absorveu o ativo em movimentos de manada. Essa dinâmica ficou evidente após fortes altas seguidas de correções acentuadas, que expuseram o excesso de investidores posicionados na mesma direção.

​O cenário em 2025 e 2026: O “Ano de Troia”

​As novidades mais recentes do mercado reforçam essa tese. Em 2025, o ouro viveu um ano excepcional, subindo mais de 50% e rompendo a barreira histórica de US$ 4.000 por onça troy. No mesmo período, o bitcoin também registrou recordes, ultrapassando os US$ 125 mil.

​Para Ruy Alves, esse movimento reflete uma mudança profunda na geopolítica mundial. Em participações recentes em fóruns como o Onde Investir 2026, o gestor classificou 2026 como um potencial “Ano de Troia” para as economias do Brasil e dos Estados Unidos. Ele argumenta que tanto o ouro quanto o bitcoin estão sendo impulsionados por:

  • Desconfiança no sistema financeiro: Ambos são vistos como ativos “antissistema” em um cenário de alta dívida pública global.
  • Escassez como valor: A busca por ativos que não podem ser impressos por bancos centrais tornou-se a prioridade para investidores que temem a desvalorização cambial.
  • Incerteza geopolítica: Tensões globais e a busca por alternativas ao dólar mantêm o apetite por portos seguros.

​Proteção vs. Irracionalidade

​Apesar das críticas ao caráter especulativo atual, Alves não descarta o valor de proteção desses ativos. Para ele, o ouro permanece como o “último refúgio”, uma reserva de valor que sobrevive há seis mil anos. O bitcoin, por sua vez, ainda busca consolidar esse papel, mas já ocupa um espaço relevante na diversificação de portfólios modernos, especialmente quando investidores tentam fugir da concentração excessiva no mercado acionário de tecnologia e inteligência artificial.

​O alerta do gestor é claro: embora a tese de proteção seja válida, o investidor deve estar atento ao “preço da escassez”. Quando um ativo atrai um volume excessivo de especulação, o risco de uma correção severa aumenta, independentemente de seus fundamentos históricos. No cenário atual, a prudência é o melhor acompanhamento para quem busca o brilho do ouro ou a inovação do bitcoin.

Deixe um comentário