Enquanto a elite global se reúne na Suíça para o Fórum Econômico Mundial (WEF) de 2026, um novo e alarmante dado sobre a desigualdade social ecoa pelos corredores: a riqueza coletiva dos bilionários saltou 16% apenas no último ano, atingindo o pico histórico de US$ 18,3 trilhões. O ritmo de crescimento em 2025 foi três vezes superior à média registrada nos cinco anos anteriores, segundo o relatório “Resistindo ao Domínio dos Ricos”, divulgado nesta segunda-feira (19) pela Oxfam.
Pela primeira vez na história, o mundo ultrapassou a marca de 3.000 bilionários. O documento destaca que o ganho de US$ 2,5 trilhões acumulado pelo grupo em um único ano seria suficiente para erradicar a pobreza extrema no planeta 26 vezes. Em contraste, quase metade da população mundial ainda vive com menos de US$ 8,30 por dia e uma em cada quatro pessoas enfrenta insegurança alimentar.
O fator Trump e a era dos “Super-Ricos”
O relatório associa diretamente a aceleração desse acúmulo de capital às políticas econômicas adotadas nos Estados Unidos após o retorno de Donald Trump à Casa Branca. Segundo a Oxfam, a agenda do republicano — focada em cortes de impostos para grandes fortunas, desregulamentação de mercados e resistência à tributação global de corporações — criou um terreno fértil para que os mais ricos retivessem ainda mais renda.
O expoente máximo desse fenômeno é Elon Musk. O empresário, proprietário da Tesla, SpaceX e da rede social X, tornou-se o primeiro homem a superar a marca de meio trilhão de dólares (US$ 500 bilhões) em patrimônio. O relatório ilustra a disparidade com um dado gráfico: Musk ganha, em apenas quatro segundos, o equivalente ao que uma pessoa comum recebe em um ano inteiro de trabalho.
Brasil: liderança na desigualdade regional
No cenário latino-americano, o Brasil aparece com destaque negativo. O país lidera o ranking de concentração de riqueza na região, com 66 bilionários que detêm, juntos, US$ 253 bilhões. A Oxfam Brasil reforça a necessidade urgente de avançar na taxação de lucros, dividendos e grandes fortunas, apontando que a recente reforma tributária, embora tenha dado passos importantes, ainda não foi suficiente para reduzir abismos históricos.
Dinheiro que compra poder e mídia
Além da questão financeira, a Oxfam alerta para o “déficit político” causado por essa concentração. O estudo estima que bilionários têm 4.000 vezes mais chances de ocupar cargos políticos do que cidadãos comuns.
O controle da narrativa pública também é citado como um pilar dessa hegemonia:
- Elon Musk (X), Jeff Bezos (Washington Post) e outros magnatas controlam mais da metade das maiores empresas de mídia e todas as redes sociais globais.
- O relatório aponta que o uso dessas plataformas para influenciar eleições e moldar leis em benefício próprio coloca as democracias em risco, aumentando sete vezes a chance de retrocessos no Estado de Direito em países altamente desiguais.
Recomendações da Oxfam
Diante do cenário, a organização urge que os governos implementem:
- Planos nacionais de redução da desigualdade com metas claras e monitoramento regular.
- Tributação progressiva sobre renda e riqueza extrema para financiar serviços públicos e combate à fome.
- Barreiras rígidas entre dinheiro e política, limitando o lobby corporativo e o financiamento de campanhas por super-ricos.
”Não é possível que um país onde milhões passam fome tenha a maior concentração de bilionários da América Latina”, declarou a diretora executiva da Oxfam Brasil, Viviana Santiago. O relatório conclui que a riqueza extrema não é apenas um problema econômico, mas uma ameaça direta às liberdades civis e à estabilidade social global.




