Partido Novo aciona PGR e PF por investigação contra Toffoli no caso do Banco Master

A bancada do partido Novo protocolou, nesta segunda-feira (26), uma notícia-crime na Procuradoria-Geral da República (PGR) e uma Comunicação de Fatos à Polícia Federal (PF) contra o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). O partido solicita a abertura de uma investigação formal para apurar supostas interferências do magistrado na condução do processo que envolve o Banco Master e seu controlador, Daniel Vorcaro.

​A iniciativa, encabeçada pelo líder do Novo na Câmara, Marcel van Hattem (RS), pela deputada Adriana Ventura (SP) e pelo senador Eduardo Girão (CE), argumenta que as decisões recentes de Toffoli extrapolam os limites da função jurisdicional. O grupo levanta suspeitas sobre a imparcialidade do ministro, citando possíveis conflitos de interesse ligados a vínculos societários entre familiares de Toffoli e advogados que atuam para o grupo econômico investigado.

​O centro da controvérsia

​As tensões escalaram após decisões do ministro que alteraram o rito tradicional de custódia de provas. Em meados de janeiro, durante a Operação Compliance Zero, Toffoli inicialmente ordenou que o material apreendido (incluindo 39 celulares, 31 computadores e R$ 645 mil em espécie) fosse lacrado e mantido sob custódia direta do STF, e não da Polícia Federal.

​Embora tenha recuado posteriormente, autorizando que a PGR fizesse a perícia, a medida gerou desconforto em setores da PF e do próprio Ministério Público. “A sociedade exige uma resposta clara das instituições de Estado. Este não é um caso que vai ser varrido para debaixo do tapete”, declarou Van Hattem.

​Vínculos e suspeição

​A representação do Novo destaca reportagens que apontam conexões societárias entre Roberta Rangel, esposa de Toffoli, e Walfrido Warde, advogado de Daniel Vorcaro. O partido sustenta que tais relações deveriam ter levado o ministro a se declarar suspeito ou impedido para relatar o caso. No Senado, o senador Eduardo Girão já reuniu 42 assinaturas — bem acima do mínimo de 27 — para tentar instalar uma CPI do Banco Master, visando investigar o suposto esquema de fraudes financeiras e lavagem de capitais que teria movimentado R$ 5,7 bilhões.

​Reações no STF

​Enquanto a pressão política aumenta, o ministro Gilmar Mendes saiu em defesa do colega. Em suas redes sociais, o decano do STF afirmou que a atuação de Dias Toffoli observa rigorosamente os parâmetros constitucionais e legais, classificando as críticas como tentativas de desgastar a imagem da Corte.

​Atualmente, o caso segue com a oitiva de oito executivos e sócios do Banco Master no STF, autorizadas pelo próprio Toffoli para ocorrer entre os dias 26 e 27 de janeiro. Cabe agora ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e à Polícia Federal analisar os documentos apresentados pelo Novo e decidir se há elementos suficientes para a abertura de um inquérito contra o magistrado.

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