A utilização de plataformas digitais de hospedagem por curta temporada entrou definitivamente no radar das forças de segurança e dos órgãos de fiscalização do país. Investigações lideradas pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul, com o apoio de ações do Ministério da Justiça e da Receita Federal, revelaram que organizações criminosas estão utilizando o mercado de aluguéis de imóveis para lavar dinheiro oriundo de atividades ilícitas, como o tráfico de drogas.
O alerta se intensificou após desdobramentos de operações no litoral gaúcho e na região metropolitana de Porto Alegre. Grupos criminosos compravam propriedades de alto padrão em áreas litorâneas e condomínios fechados para disponibilizá-las em aplicativos de hospedagem, faturando valores expressivos diariamente para legitimar o capital ilícito através de contas bancárias e do uso de “laranjas”.
Ações de fiscalização e colaboração das plataformas
Para frear o avanço dessa modalidade de crime, autoridades federais e estaduais vêm adotando medidas conjuntas:
- Integração de setores obrigados: Instituições financeiras, cartórios de registro de imóveis e corretoras imobiliárias estão sob orientação estrita para identificar e comunicar movimentações e transações financeiras suspeitas ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).
- Manual de tributação: A Receita Federal trabalha na elaboração de diretrizes para aprimorar o recolhimento de tributos sobre os valores recebidos por locações via aplicativos, dificultando a ocultação de patrimônio por pessoas físicas falsamente declaradas.
- Colaboração tecnológica: Plataformas líderes do segmento, como o Airbnb, informaram possuir canais de atendimento exclusivos para cooperar com as autoridades, efetuando a remoção imediata de anúncios associados a perfis e imóveis sob investigação policial.
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