Polícia Federal suspeita que Eduardo Cunha usou emendas sem mandato em esquema semelhante ao de Valdemar da Costa Neto

​A Polícia Federal (PF) identificou indícios de que o ex-deputado federal Eduardo Cunha (Republicanos-MG) pode ter adotado uma prática semelhante à investigada no caso do presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto: a destinação e o remanejamento de emendas parlamentares mesmo sem exercer um mandato legislativo. A suspeita surgiu no âmbito das investigações sobre a existência de um suposto arranjo paralelo para o direcionamento de verbas públicas do orçamento federal.

​Nesta sexta-feira (10), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, determinou o bloqueio de R$ 119,2 milhões em bens de Valdemar da Costa Neto e suspendeu a execução desse montante em emendas. A decisão foi baseada em análises e quebras de sigilo da PF, que apontaram que Valdemar, mesmo sem cargo no Congresso, atuava como “vetor de definição” para liberar recursos públicos. Embora Eduardo Cunha não tenha sido alvo direto dos mandados de busca e apreensão da operação que mirou o dirigente do PL, os investigadores enxergaram semelhanças na forma como o ex-presidente da Câmara exercia influência sobre deputados com mandato para a assinatura de emendas.

​De acordo com as apurações, o esquema contava com o auxílio de assessores e servidores da Câmara dos Deputados para planilhar e operacionalizar a distribuição dos recursos de acordo com os interesses dos políticos sem mandato, contornando os critérios técnicos e a titularidade oficial das verbas.

​Em resposta às suspeitas levantadas, Eduardo Cunha negou veementemente qualquer irregularidade e rechaçou a tese de que teria dado ordens para o direcionamento de verbas. O ex-deputado admitiu apenas ter feito pedidos pontuais ao líder do partido na época para atender a demandas regionais. Cunha também ressaltou que as emendas assinadas por sua filha são de responsabilidade estrita dela, pontuando que pode ter apenas acompanhado a tramitação e liberação dos recursos, sem interferência ou indicações diretas de sua parte.

​A defesa de Valdemar da Costa Neto também se manifestou, classificando a decisão do STF como frágil e baseada em inferências subjetivas. Os advogados do presidente do PL afirmaram que a atuação do dirigente se restringe à legítima atividade político-partidária de dialogar com os parlamentares e defender as prioridades do partido, assegurando que não há indícios de fraudes ou desvios. O caso segue sob segredo de Justiça e sob análise da Suprema Corte.


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