Polícia investiga morte de Soffia Ramos e adega por suspeita de venda de bebida com metanol em SP
A Polícia Civil de São Paulo intensificou nesta semana as investigações sobre a morte da adolescente venezuelana Soffia Del Valle Torrealba Ramos, de 15 anos, ocorrida no último sábado (3). A principal linha de investigação aponta para uma intoxicação por metanol, substância altamente tóxica e frequentemente utilizada de forma criminosa para adulterar bebidas alcoólicas.
O caso de Soffia soma-se a uma preocupante crise de saúde pública no estado. De acordo com os dados mais recentes da Secretaria de Segurança Pública (SSP) e da Secretaria da Saúde, São Paulo já contabiliza 11 mortes confirmadas e mais de 50 casos registrados de intoxicação pela substância apenas nos últimos meses.
O caso: da celebração à tragédia
Soffia saiu de casa na madrugada do dia 1º de janeiro com uma prima para comemorar o Ano Novo. Segundo o relato de Nelkis Del Valle Ramos Hernandez, mãe da jovem, a adolescente retornou por volta das 9h. Apesar de negar ter bebido, Soffia apresentava sinais de agitação e foi dormir.
Ao retornar do trabalho no final da tarde, a mãe encontrou a filha desacordada. A jovem foi levada às pressas para o Hospital Municipal Cidade Tiradentes, na Zona Leste, onde permaneceu internada por dois dias. A ficha médica indicou sintomas clássicos de envenenamento por metanol, como acidose metabólica e disfunção renal. O óbito foi confirmado na noite de sábado.
”Minha dor é grande. Ela era uma menina cheia de vida, que tinha o sonho de ser modelo”, desabafou Nelkis à imprensa durante o velório realizado na noite desta segunda-feira (5).
Operação policial e apreensões
Na segunda-feira (5), agentes do 54º Distrito Policial (Cidade Tiradentes) realizaram uma operação na adega onde a bebida teria sido adquirida. Durante a ação:
- Garrafas de gin e outros destilados foram apreendidos para perícia técnica.
- O proprietário do estabelecimento foi detido em flagrante, inicialmente por furto de energia (gato) e armazenamento irregular de fogos de artifício.
- A Polícia Técnico-Científica agora realiza exames toxicológicos e necroscópicos para confirmar a presença de metanol no organismo da vítima e nos produtos recolhidos.
O perigo silencioso do metanol
O metanol é um álcool industrial usado em solventes e combustíveis, proibido para consumo humano. Diferente do etanol (álcool comum), ele se transforma em ácido fórmico no organismo, o que pode causar:
- Cegueira irreversível (por danos ao nervo óptico);
- Falência renal e hepática;
- Coma e morte em poucas horas se não houver tratamento com antídoto específico.
A polícia agora busca identificar a origem da distribuição dessas bebidas adulteradas, investigando se há uma rede de fabricação clandestina abastecendo adegas na periferia da capital e da Grande São Paulo.







