Em meio a protestos contra a prisão de Jair Bolsonaro e decisões do Judiciário, escolta da Polícia Legislativa acompanha o deputado federal em trajeto de 240 km até Brasília.
BRASÍLIA – O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) iniciou, no último dia 19 de janeiro, uma caminhada de aproximadamente 240 quilômetros partindo de Paracatu (MG) com destino à capital federal. O ato, intitulado por aliados como “marcha pela liberdade”, conta com um elemento controverso: a presença obrigatória de agentes da Polícia Legislativa da Câmara dos Deputados (Dpol) fazendo a escolta direta do parlamentar durante todo o percurso.
A determinação para que os policiais acompanhem o deputado “aonde ele for” decorre de protocolos de segurança e ameaças reportadas pelo parlamentar. Embora o ato tenha um caráter político e pessoal, a estrutura da Câmara é mobilizada para garantir a integridade física de Nikolas, o que tem gerado debates sobre o uso de recursos e pessoal do Poder Legislativo em manifestações de rua de longa duração.
O movimento e o trajeto
A caminhada atravessa rodovias federais e estaduais, com previsão de chegada à Esplanada dos Ministérios neste domingo, 25 de janeiro. Nikolas Ferreira afirma que o objetivo da marcha é protestar contra a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro — que cumpre pena no Complexo da Papuda por tentativa de golpe de Estado — e cobrar o avanço de pautas como a “CPI do Banco Master” e a “CPI do INSS”.
Além da Polícia Legislativa, o movimento tem sido monitorado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), que emitiu alertas sobre os riscos de segurança viária. A corporação chegou a sinalizar que o trajeto a pé em rodovias de alta velocidade oferece perigo tanto aos manifestantes quanto aos motoristas. Em resposta, a equipe do deputado afirmou ter comunicado oficialmente as autoridades sobre o itinerário.
Apoio político e estrutura
O parlamentar mineiro não está sozinho. Diversas figuras da oposição, como os deputados Gustavo Gayer (PL-GO), André Fernandes (PL-CE) e o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ), já marcaram presença em trechos do percurso. A mobilização ganha força nas redes sociais, onde Nikolas compartilha vídeos diários comparando sua jornada a marchas históricas, como as de Martin Luther King e Gandhi, o que atraiu tanto elogios de apoiadores quanto críticas severas de opositores.
A escolta da Polícia Legislativa deve permanecer com o deputado até o encerramento do ato em Brasília, onde se espera uma concentração de apoiadores para recepcionar a comitiva. Até o momento, a presidência da Câmara não se manifestou sobre eventuais custos extras ou o remanejamento do efetivo policial para a operação externa.




