Portugal e Brasil consolidam acordo de reciprocidade para CNH em meio a reformas no processo de habilitação

O governo de Portugal oficializou recentemente o reconhecimento pleno da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) emitida no Brasil, permitindo que cidadãos brasileiros residentes em solo lusitano dirijam sem a necessidade de trocar o documento ou realizar novos exames. A medida, que já beneficia cerca de 500 mil imigrantes, entra em vigor em um momento de profundas transformações no sistema de trânsito brasileiro, marcado pelo fim da obrigatoriedade das autoescolas.

​Regras para o uso da CNH em Portugal

​De acordo com o decreto assinado pelo presidente Marcelo Rebelo de Sousa, o reconhecimento automático é válido para as categorias A (motos) e B (carros de passeio). Para que o documento brasileiro seja aceito pelas autoridades portuguesas, o condutor deve cumprir os seguintes requisitos:

  • ​A CNH deve estar dentro do prazo de validade;
  • ​O condutor deve ter menos de 60 anos de idade;
  • ​O documento deve ter sido emitido há menos de 15 anos;
  • ​São aceitas tanto a versão física quanto a digital (através do aplicativo Carteira Digital de Trânsito).

​Pelo princípio da reciprocidade, motoristas portugueses que residem no Brasil também passam a usufruir da mesma facilidade, podendo utilizar a sua habilitação original sem processos de conversão burocráticos.

​O debate sobre o fim das autoescolas no Brasil

​Apesar do avanço diplomático, especialistas e autoridades levantam questionamentos sobre como as mudanças internas no Brasil podem afetar futuros acordos internacionais. Recentemente, o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) aprovou o fim da obrigatoriedade de frequência em Centros de Formação de Condutores (CFCs).

​No novo modelo, o candidato pode optar por estudos teóricos online e aulas práticas com instrutores autônomos credenciados, reduzindo drasticamente os custos do processo. Embora o governo brasileiro defenda que o rigor das provas — que permanecem obrigatórias — garanta a segurança viária, há o temor de que a flexibilização do treinamento possa gerar resistência em outros blocos econômicos, como a União Europeia, que historicamente exige padrões rígidos de formação.

​Posicionamento oficial

​O Secretário Nacional de Trânsito, Adrualdo Catão, afirmou que o reconhecimento por parte de Portugal reforça a confiança no sistema brasileiro e minimiza as chances de um enfraquecimento internacional do documento. Segundo Catão, o foco deve estar na qualidade da avaliação final e não na obrigatoriedade de modelos comerciais de ensino.

​Até o momento, o acordo entre Brasil e Portugal segue inalterado, consolidando-se como um marco importante para a integração da comunidade brasileira na Europa e facilitando a mobilidade e o acesso ao mercado de trabalho para milhares de profissionais no exterior.

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