Um dos redutos culturais mais tradicionais do Largo da Ordem, o Bar e Restaurante Brasileirinho, tornou-se o centro de uma intensa polêmica administrativa que coloca em xeque a convivência entre o setor boêmio e o poder público. No último domingo (11), o estabelecimento foi notificado pela Prefeitura de Curitiba sobre a abertura de um processo que pode culminar na cassação de seu alvará de funcionamento, gerando forte mobilização de clientes e entidades do setor.
O impasse teve início durante as atividades do Circuito OFF da 43ª Oficina de Música de Curitiba. Segundo nota divulgada pelos proprietários, o local recebeu duas inspeções seguidas. A justificativa da fiscalização é que o bar estaria ocupando a Rua Mateus Leme com mesas e cadeiras de forma irregular, obstruindo o fluxo de veículos em uma via que, embora de uso compartilhado, serve de acesso para a montagem e desmontagem da Feira do Largo da Ordem.
Argumentos em conflito
A direção do Brasileirinho classificou a medida como “desproporcional”. Em comunicado, o bar afirmou que o público presente era composto majoritariamente por estudantes de música e artistas, e que houve colaboração imediata para recuar o mobiliário após a primeira abordagem. “Consideramos a medida desproporcional, especialmente diante da ausência de agravantes ou reincidência”, diz o texto.
Por outro lado, a Prefeitura de Curitiba sustenta que o estabelecimento já havia sido orientado previamente. Em nota oficial enviada à reportagem da Tribuna do Paraná, o município informou que o proprietário foi notificado em dezembro de 2025 e novamente no início de janeiro de 2026. Segundo a Secretaria Municipal de Urbanismo (SMU), o uso do espaço público exige licenciamento específico e um projeto aprovado que não prejudique o acesso de veículos de emergência e dos feirantes.
Reação do setor e próximos passos
O presidente da Associação Brasileira de Bares e Casas Noturnas (Abrabar), Fabio Aguayo, criticou duramente o modus operandi das fiscalizações na capital. Para Aguayo, as ações da AIFU (Ação Integrada de Fiscalização Urbana) têm sido “mais punitivas do que orientativas”, representando um retrocesso para a inovação e o turismo da cidade.
O setor atravessa um momento sensível no Centro Histórico. Recentemente, em dezembro de 2025, o Departamento de Fiscalização convocou 19 bares da região para regularização; destes, 15 apresentavam pendências no licenciamento de mesas externas.
Defesa e prazos
O Bar Brasileirinho tem agora um prazo de 10 dias para apresentar sua defesa administrativa e tentar reverter a ameaça de fechamento definitivo. Enquanto isso, o debate sobre o uso das calçadas e a preservação dos espaços culturais no coração de Curitiba segue inflamando as redes sociais e as mesas dos botecos vizinhos.




