PRESIDENTE da Bolívia Luis Arce assina decreto para governar a distância em meio a racha com vice
O presidente da Bolívia, Luis Arce, oficializou uma medida inédita para assegurar a continuidade de seu comando administrativo mesmo durante agendas internacionais. Através de um decreto presidencial, Arce estabeleceu as bases legais para governar a distância, utilizando ferramentas digitais e assinaturas eletrônicas. A decisão ocorre em um momento de extrema fragilidade política e isolamento institucional do mandatário.
A medida é interpretada por analistas como uma manobra estratégica para evitar que o poder caia nas mãos de seu vice-presidente, David Choquehuanca, com quem mantém uma relação de profunda desconfiança. Pela Constituição boliviana, o vice-presidente deveria assumir o comando interino do país sempre que o titular se ausentasse do território nacional. Com o novo decreto, Arce tenta esvaziar essa prerrogativa constitucional, mantendo o controle das decisões executivas de forma remota.
O Contexto da Crise e as Novidades Recentes
A política boliviana atravessa um período de turbulência sem precedentes, marcado por um racha definitivo dentro do partido governista, o Movimento ao Socialismo (MAS). O cenário atual apresenta três frentes de conflito que explicam a necessidade de Arce em não ceder espaço:
- Ruptura com o Vice: A relação com Choquehuanca, que representa a ala mais indigenista do partido, deteriorou-se após acusações mútuas de traição e conspiração. Arce teme que, em uma ausência prolongada, o vice possa articular mudanças no gabinete ou sabotar decretos econômicos.
- A Sombra de Evo Morales: O ex-presidente Evo Morales continua sendo o principal adversário interno de Arce. Recentemente, Morales liderou protestos e bloqueios de estradas, exigindo a renúncia de Arce e a viabilização de sua própria candidatura para futuros pleitos.
- Pressão Judicial e Eleitoral: Informações recentes indicam que o governo de Luis Arce enfrentou derrotas significativas no Tribunal Supremo Eleitoral, enquanto investigações de corrupção envolvendo ex-ministros e figuras próximas ao presidente ganharam força nos últimos meses.







