Educação

Professor Sebastião Donizete Santarosa defende o desenvolvimento humano como pilar central contra a crise na educação do Paraná

Em uma reflexão profunda sobre o estado atual do ensino público, o professor e filósofo Sebastião Donizete Santarosa trouxe à tona um diagnóstico crítico e humanista sobre as prioridades das políticas educacionais. Para o educador, a “finalidade da educação é o desenvolvimento humano”, e qualquer sistema que ignore essa premissa está fadado ao colapso — um cenário que, segundo ele, já projeta sombras sobre as escolas estaduais do Paraná.

A centralidade do mestre na formação social

Santarosa argumenta que a resolução dos grandes dilemas contemporâneos não reside apenas em avanços tecnológicos ou reformas burocráticas, mas no investimento direto nas pessoas. Ele ressalta que áreas fundamentais como a ciência, a arte, a política e a tecnologia devem convergir para um objetivo comum: a complexidade constitutiva do ser.

“O professor e a professora, o mestre e a mestre, são o centro de todo projeto educativo”, afirma Santarosa.

O professor enfatiza que uma política educacional de fato comprometida deve priorizar o desenvolvimento dos seus docentes. Sem um olhar humanizado para quem ensina, o resultado inevitável é o “caos”, afetando diretamente a qualidade de vida e o aprendizado dentro do ambiente escolar.

O contexto atual: O desafio da “uberização” e a tecnologia no Paraná

As palavras de Santarosa ecoam em um momento de intensa transformação na rede pública paranaense. Recentemente, o sistema educacional do estado tem sido palco de debates acalorados sobre a digitalização extrema e a gestão de pessoal.

  • Plataformização do Ensino: O Paraná é hoje um dos estados que mais utiliza plataformas digitais e inteligência artificial para monitoramento de frequência e desempenho. Críticos e sindicatos, como a APP-Sindicato, argumentam que o excesso de metas digitais tem gerado adoecimento docente, corroborando o alerta de Santarosa sobre a falta de um “projeto de desenvolvimento humanizado”.
  • Parceiro da Escola: A recente aprovação e implementação do programa que transfere a gestão administrativa de escolas públicas para empresas privadas (Parceiro da Escola) é outro ponto de tensão. Enquanto o governo estadual defende a eficiência administrativa, educadores temem o distanciamento da função social e humanista da escola mencionada pelo professor.
  • Saúde Mental: Dados recentes indicam um aumento no afastamento de professores por questões de saúde mental, reforçando a tese de que, sem o devido suporte aos mestres, a estrutura educacional entra em um ciclo de desgaste.

A educação como chave para os problemas globais

A visão de Sebastião Donizete Santarosa propõe um retorno às bases da filosofia educacional. Ele defende que a educação é uma ação humana por excelência. Ao colocar o professor no centro, Santarosa sugere que a valorização da carreira e da dignidade docente é o único caminho para que a escola pública deixe de ser um espaço de “sombras” e se torne o motor de transformação que a sociedade exige.

O debate proposto pelo professor convida gestores e a sociedade civil a repensarem: estamos investindo em sistemas de controle ou no desenvolvimento de seres humanos?

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