PT aciona TSE contra Flávio Bolsonaro por uso de inteligência artificial em vídeo de pré-campanha

​A Federação Brasil da Esperança, composta pelo PT, PCdoB e PV, acionou formalmente o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O motivo da representação judicial é a publicação de um vídeo produzido com ferramentas de inteligência artificial nas redes sociais do parlamentar. A coalizão governista alega prática de propaganda eleitoral antecipada e uso ilegal da tecnologia.

​No vídeo em questão, que faz referências estéticas ao filme Top Gun, Flávio Bolsonaro e o ex-presidente Jair Bolsonaro são retratados por meio de computação gráfica como militares a bordo de uma aeronave de combate. Durante a animação, o senador aparece efetuando disparos contra embarcações que carregam as siglas de facções criminosas — como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) —, enquanto um terceiro barco, identificado com a sigla do PT, é associado ao contexto de forma pejorativa pela oposição.

​Os argumentos da ação judicial

​Os partidos que compõem a federação sustentam que a publicação ultrapassa os limites da liberdade de expressão e configura uma ameaça à integridade do processo eleitoral para o pleito de 2026. Entre as principais alegações encaminhadas ao TSE, destacam-se:

  • Propaganda antecipada: A legislação brasileira estipula que propagandas de cunho eleitoral explícito só são permitidas a partir do dia 16 de agosto do ano da eleição.
  • Uso indevido de deep fake: A defesa da coligação aponta que o formato digital induz o eleitorado ao erro ao associar diretamente partidos políticos a organizações criminosas.
  • Pedido de sanções: A petição requer a remoção imediata do conteúdo de todas as plataformas digitais e a aplicação de multas financeiras aos responsáveis.

​Defesa alega transparência e acusa censura

​Em contrapartida, a equipe de comunicação e a defesa de Flávio Bolsonaro rebateram as acusações e afirmaram que a representação jurídica do PT trata-se de uma tentativa de “censurar” o debate político.

​Segundo a assessoria do senador, a publicação seguiu as normas vigentes ao trazer um aviso explícito e transparente informando ao público que o conteúdo foi gerado por meio de inteligência artificial. A defesa argumenta ainda que a postagem não configura propaganda eleitoral irregular, mas sim uma manifestação política protegida pela imunidade parlamentar e pela liberdade de opinião.

​O caso agora está sob análise dos ministros do TSE, que deverão avaliar se a postagem respeitou as rígidas regras estabelecidas pela Corte Eleitoral para o uso de ferramentas de inteligência artificial e computação gráfica no período que antecede a campanha oficial.


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