A declaração recente do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, de que pretende buscar a reeleição em solo paulista, não apenas alterou o tabuleiro nacional, mas escancarou o que os bastidores do Palácio Iguaçu já cochichavam: o governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), está cada vez mais “preso” ao cargo. A estratégia é evitar um fiasco na própria sucessão, diante de um cenário em que seus principais aliados ainda não decolaram nas pesquisas.
O impasse sucessório e o “fator Moro”
O pano de fundo para a permanência de Ratinho Jr. até o último dia do mandato é puramente matemático. Levantamentos recentes da Paraná Pesquisas, divulgados em janeiro de 2026, mostram o senador Sergio Moro (União) liderando com folga a corrida ao governo estadual, alcançando marcas acima de 40%.
Enquanto isso, os nomes da “cozinha” palaciana enfrentam dificuldades:
- Alexandre Curi (PSD): Atual presidente da Assembleia Legislativa, aparece oscilando entre 7% e 11%.
- Guto Silva (PSD): Secretário das Cidades e nome de confiança do governador, registra índices entre 5% e 9%.
- Rafael Greca (PSD): O ex-prefeito de Curitiba também é ventilado, mas sofre com a resistência de ser um nome muito concentrado na capital.
A leitura interna é direta: sem Ratinho Jr. no corpo a corpo, colocando o capital político da família Massa e a estrutura do governo em jogo, os apadrinhados dificilmente terão fôlego para enfrentar figuras de recall nacional como Moro ou o ex-governador Alvaro Dias (MDB), que também pontua alto.
Silêncio estratégico e articulações em Itapema
Fontes próximas ao governador confirmam que o plano de abrir mão de uma candidatura ao Senado — onde Ratinho lidera com mais de 60% das intenções de voto — ou mesmo à Presidência da República tem ganhado força em reuniões privadas. Esses encontros, realizados frequentemente em propriedades da família em Itapema (SC) e no litoral paranaense, desenham uma “operação salvamento” da continuidade administrativa.
Ratinho Jr. tem mantido um silêncio obsequioso sobre as falas de Tarcísio, que o apontou como uma “alternativa natural” para a direita caso ele próprio não concorra ao Planalto. No entanto, para o PSD de Gilberto Kassab, o risco de perder o controle do estado do Paraná para um adversário como Moro é um preço alto demais a pagar por uma aventura nacional incerta.
Ao decidir ficar no cargo até 31 de dezembro de 2026, Ratinho Jr. abdica de disputar o Senado, mas garante o uso da máquina pública e de sua alta aprovação (que beira os 80%) para tentar transferir votos aos seus aliados no momento crítico da campanha.




