Educação

Ratinho Jr., professores e a oposição: o abismo entre o Ideb e a privatização das escolas

O “Parceiro da Escola” e a revolta dos educadores

Embora o Paraná ostente a liderança no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), o governo enfrenta sua maior crise com a categoria dos professores desde o início da gestão. O projeto “Parceiro da Escola”, que transfere a gestão administrativa de colégios estaduais para empresas privadas, é o epicentro do embate.

​Em 2024, uma greve massiva paralisou o estado. Educadores e o sindicato (APP-Sindicato) denunciam que o modelo retira autonomia pedagógica e transforma o orçamento público em lucro para empresários. Recentemente, em novembro de 2024, mais de 80 comunidades escolares rejeitaram a implementação do projeto em consultas públicas, evidenciando que a aceitação popular não é a que o governo divulga. Além disso, denúncias de “punições” e cortes de ponto de grevistas geraram acusações de autoritarismo por parte da gestão Ratinho Jr.

As sombras na Sanepar e as promessas de campanha

Outro ponto crítico envolve as empresas públicas. Se em 2019 o governador afirmou que a Copel e a Sanepar não seriam privatizadas, a realidade seguiu o caminho oposto. A Copel já foi desestatizada, e agora o foco das polêmicas se volta para a Sanepar.

​No final de dezembro de 2024, a oposição na Assembleia Legislativa (ALEP), liderada pelo deputado Arilson Chiorato, trouxe à tona áudios que sugerem um suposto esquema de corrupção na Sanepar. Segundo as denúncias, recursos da companhia teriam sido utilizados para financiar campanhas eleitorais em 2022 através de caixa dois. O governo classifica as denúncias como “antigas”, mas a pressão por investigações no Tribunal de Contas e no Ministério Público continua crescendo em 2025.

Segurança pública: números vs. sensação de medo

Na propaganda, o governo celebra a queda de homicídios (redução de 31% em 2024) e o aumento nas apreensões de drogas. Contudo, críticos apontam que a segurança nas áreas periféricas e o déficit de efetivo nas polícias civil e militar continuam sendo gargalos. O uso recorrente de contratações temporárias e o regime PSS (Processo Seletivo Simplificado) na educação e em outros setores também são apontados como uma forma de precarizar o serviço público enquanto se mantém o caixa do estado “no azul”.

Economia e desigualdade

Ratinho Jr. destaca o Paraná como a “quarta maior economia do Brasil”, citando o crescimento do PIB e investimentos bilionários em infraestrutura (como a Rodovia da Uva e novas creches). Por outro lado, a oposição e movimentos sociais questionam o custo social desse crescimento. A política de incentivos fiscais para grandes empresas agroindustriais contrasta, segundo críticos, com a demora em reajustes salariais dignos para o funcionalismo público, que amarga perdas inflacionárias acumuladas.

​Conclusão

​O Paraná de Ratinho Jr. vive uma dualidade: de um lado, números macroeconômicos e índices educacionais de destaque; de outro, uma gestão marcada pela “mão de ferro” nas negociações com servidores e por um projeto de estado mínimo que entrega ativos públicos ao setor privado sob fortes suspeitas de irregularidades. A “verdade” sobre o governo parece depender de qual lado da conta o paranaense está: se no dos investidores ou no dos servidores e comunidades que lutam para manter o caráter público das instituições.

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