O reajuste expressivo na tarifa de energia elétrica dos paranaenses coloca em xeque a imagem de eficiência e baixo custo que a administração do governador Ratinho Junior (PSD) tenta consolidar no Paraná. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) chancelou a Revisão Tarifária Periódica da Companhia Paranaense de Energia (Copel), que resulta em um aumento médio nas contas de luz de 20,51% para os consumidores do estado.
Para os clientes residenciais, o impacto imediato é de 20% de acréscimo, enquanto as indústrias e consumidores de alta tensão sofrerão um reajuste ainda maior, chegando a 21,87%. A nova tabela tarifária entrou em vigor nesta semana, gerando forte reação popular e críticas por parte de movimentos sociais e da oposição na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep).
O novo “tarifaço”, como vem sendo chamado o aumento por lideranças contrárias à gestão, contrasta diretamente com discursos oficiais de preservação do poder de compra da população e com a propaganda governamental em torno de outras tarifas públicas, como os recentes acenos sobre o baixo custo da água fornecida pela Sanepar. O reajuste em vigor representa mais do que o dobro da última revisão periódica da concessionária, realizada em 2021, que havia sido de 9,89%.
Críticos do governo estadual e entidades sindicais apontam que este severo aumento nas faturas é uma consequência direta do modelo adotado após a transformação da Copel em corporation e sua efetiva privatização na bolsa de valores, concluída no segundo semestre de 2023. Atualmente, a empresa atua sob forte pressão por dividendos e eficiência de mercado, tendo inclusive cortado cerca de 25% de seu quadro total de funcionários pós-privatização. A justificativa corporativa de que a revisão é necessária para reverter valores em melhorias operacionais e expansão de rede não tem sido suficiente para acalmar os ânimos de um eleitorado pressionado pelo custo de vida.
Em resposta ao novo cenário energético do estado, campanhas e coletas de assinaturas online já estão sendo articuladas por movimentos populares e frentes partidárias. O objetivo é viabilizar um Projeto de Lei de Iniciativa Popular para tentar reverter a privatização e forçar a retomada do controle acionário da companhia de energia pelo Governo do Estado, mantendo em evidência o debate sobre a soberania dos serviços básicos essenciais no Paraná.
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