Receita Federal desmente boato: professores pagarão menos Imposto de Renda mesmo com reajuste do piso

Sob o lema de ser a “melhor educação do Brasil”, o sistema público de ensino do Paraná atravessa um dos períodos de maior tensão entre o Governo do Estado e a categoria dos educadores. Enquanto as peças publicitárias da gestão Ratinho Jr. (PSD) exaltam os índices do Ideb e a modernização tecnológica, professores, funcionários e o sindicato da categoria (APP-Sindicato) denunciam o que chamam de “maquiagem da realidade” e uma ofensiva sem precedentes para transferir a gestão escolar à iniciativa privada.

​A polêmica do “Parceiro da Escola”

​O ponto central do conflito em 2024 e com reflexos diretos para 2025 é o programa Parceiro da Escola. A iniciativa prevê a entrega da gestão administrativa e de infraestrutura de colégios estaduais para empresas privadas. Segundo o governo, a medida libera os diretores para focarem exclusivamente no pedagógico. No entanto, para a APP-Sindicato, trata-se de uma “privatização disfarçada”.

​Até o início de 2025, o governo homologou a adesão de 82 colégios ao modelo, após consultas públicas marcadas por denúncias de falta de transparência e pressão sobre as comunidades. Recentemente, a oposição na Assembleia Legislativa (ALEP) e educadores protestaram contra uma “nova onda” de consultas em escolas que já haviam rejeitado o projeto anteriormente, alegando que o governo ignora a soberania das decisões locais para impor sua agenda.

​Além da propaganda: as queixas da categoria

​Para os profissionais que atuam no “chão da escola”, a realidade destoa dos comerciais de TV. Entre as principais críticas levantadas nas últimas assembleias e mobilizações, destacam-se:

  1. Plataformização e Assédio: Educadores relatam uma sobrecarga causada pela obrigatoriedade de uso de múltiplas plataformas digitais e a cobrança excessiva por metas de frequência e notas, o que, segundo o sindicato, fere a autonomia pedagógica e adoece os profissionais.
  2. Defasagem Salarial: A categoria exige a equiparação salarial para funcionários e aposentados, além do pagamento da data-base. Em fevereiro de 2025, novas paralisações foram aprovadas para cobrar o governo.
  3. Militarização: O Paraná tornou-se o estado com o maior número de escolas cívico-militares do país (mais de 300 unidades). Críticos apontam que o modelo exclui alunos com dificuldades e não resolve os problemas estruturais da rede como um todo.

​O “Não é Não” das comunidades

​As redes sociais tornaram-se o principal campo de batalha desta disputa narrativa. Publicações recentes da APP-Sindicato e de movimentos estudantis reforçam que “a educação não é mercadoria”. O vídeo citado pela reportagem ecoa o sentimento de que investimentos reais em infraestrutura e valorização profissional são mais urgentes do que o gasto milionário com publicidade institucional.

​Enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) analisa ações de inconstitucionalidade contra a Lei do Parceiro da Escola, o clima nas escolas paranaenses permanece de vigília. A pergunta que fica para os pais e alunos é: o sucesso da educação deve ser medido por índices estatísticos e propaganda, ou pela preservação de uma escola verdadeiramente pública, democrática e inclusiva?

Ficha Técnica:

  • Principais envolvidos: Governador Ratinho Jr., Secretário Roni Miranda (SEED), Walkiria Mazeto (Presidenta da APP-Sindicato), Deputados da Oposição.
  • Temas urgentes: Privatização de escolas, data-base do funcionalismo, uso de plataformas digitais.

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