Recorde de afastamentos por saúde mental no Brasil atinge 2 mil profissões e acende alerta no INSS

O Brasil vive um cenário crítico de adoecimento ocupacional. Dados inéditos do Ministério da Previdência Social revelam que, em 2025, o país bateu um novo recorde histórico: mais de 546 mil afastamentos do trabalho foram motivados por transtornos mentais e comportamentais. O número representa um salto de 15% em relação ao ano anterior e expõe a fragilidade emocional de trabalhadores em mais de 2.100 diferentes ocupações.

​Pela segunda vez em uma década, a saúde mental se consolida como a segunda maior causa de licenças médicas no país, ficando atrás apenas das doenças osteomusculares (como dores nas costas). O impacto financeiro é bilionário: estima-se que os custos para o INSS com o pagamento de benefícios por incapacidade temporária tenham ultrapassado a marca de R$ 3,5 bilhões apenas no último ano.

​As profissões no “olho do furacão”

​Embora o adoecimento atinja desde cargos operacionais até a alta gestão, um levantamento realizado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) em parceria com o Ministério Público do Trabalho (MPT) destaca as categorias que lideram o ranking de pedidos de auxílio-doença.

​No topo da lista aparecem ocupações marcadas por alta rotatividade, pressão constante por metas e baixos salários:

  1. Vendedores do comércio varejista
  2. Faxineiros
  3. Auxiliares de escritório
  4. Assistentes administrativos
  5. Alimentadores de linha de produção

​Especialistas apontam que essas funções compartilham fatores de risco específicos, como jornadas exaustivas e a falta de autonomia. Outras áreas com alta incidência incluem motoristas, vigilantes e profissionais de saúde, frequentemente expostos à violência urbana e ao estresse traumático secundário.

​Ansiedade e depressão: os vilões da produtividade

​Os diagnósticos de ansiedade e depressão respondem por cerca de 86% dos casos de afastamento. Em 2025, os transtornos ansiosos geraram sozinhos mais de 166 mil licenças, enquanto os episódios depressivos ultrapassaram a marca de 126 mil registros.

​Outro dado alarmante é o crescimento do Burnout (síndrome do esgotamento profissional), que viu o número de registros triplicar nos últimos dois anos. O perfil mais afetado continua sendo o feminino: as mulheres representam cerca de 63% dos beneficiários afastados por motivos psicológicos.

​O que mudou na lei?

​Diante da gravidade dos números, o governo federal atualizou a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1). A partir de agora, as empresas são obrigadas a incluir o gerenciamento de “riscos psicossociais” em seus programas de prevenção. Isso significa que identificar e mitigar o assédio moral, a sobrecarga de trabalho e o clima organizacional tóxico não é mais uma opção, mas uma exigência legal para evitar punições e reduzir o prejuízo com a perda de talentos.

​Para o trabalhador, o cenário reforça a necessidade de atenção aos primeiros sinais: alterações no sono, irritabilidade excessiva e desânimo persistente podem indicar que o limite entre o esforço profissional e o adoecimento clínico foi ultrapassado.

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