A situação fiscal de Minas Gerais e o desafio do próximo governante ganharam destaque internacional nesta semana. Uma reportagem da prestigiada revista britânica The Economist fez duras críticas à gestão das contas públicas do estado, apontando que o território mineiro enfrenta um cenário financeiro crítico e é frequentemente esquecido no debate macroeconômico global, apesar de sua grande relevância nacional.
De acordo com a publicação, o próximo governador que assumirá o comando do Palácio Tiradentes terá de enfrentar de forma imediata o que chamou de finanças em “ruínas”. O veículo internacional ressalta que o futuro mandatário não terá espaço para manobras confortáveis e precisará adotar uma postura de austeridade severa, sendo forçado a “cortar gastos drasticamente” logo no início do mandato para evitar o colapso completo dos serviços públicos e das capacidades de investimento.
Especialistas em macroeconomia consultados pela revista reforçam que o endividamento crônico de Minas Gerais e o peso das despesas obrigatórias, como a folha de pagamento de servidores ativos e inativos, criaram um modelo econômico sufocante. A avaliação indica que, para alterar esse panorama de estagnação e atrair financiamentos privados consistentes, o estado depende urgentemente de reformas estruturais profundas, com foco direto na melhoria dos índices educacionais e na redução de riscos institucionais para os investidores.
O diagnóstico britânico joga luz sobre o complexo jogo político regional em torno do Regime de Recuperação Fiscal (RRF) e das negociações de dívidas com a União. Enquanto a atual gestão defende que buscou atrair bilhões em investimentos privados e simplificar a abertura de empresas por meio de leis de liberdade econômica, críticos e analistas apontam que as crescentes renúncias fiscais e a falta de soluções definitivas para o passivo bilionário do estado deixam uma herança fiscal extremamente delicada para as próximas gerações.
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