Politica

Requião e PDT redesenham disputa pelo governo do Paraná em 2026 com apoio estratégico da esquerda

O tabuleiro político paranaense para 2026 sofreu uma movimentação sísmica neste final de 2025. O que antes parecia um cenário de polarização entre nomes ligados ao atual governo e o senador Sergio Moro (União), agora ganha novos contornos com a consolidação da família Requião no PDT. O movimento, que inicialmente foi marcado por críticas ácidas ao PT, evoluiu para uma articulação pragmática que coloca o deputado estadual Requião Filho como o principal nome de uma frente progressista ao Palácio Iguaçu.

​O retorno dos Requião e a nova casa

​Após um breve e conturbado período no Partido dos Trabalhadores, Roberto Requião e Requião Filho migraram para o PDT de Carlos Lupi. A mudança não foi apenas de legenda, mas de estratégia: os Requião buscam recuperar a “independência” que marcou suas trajetórias no MDB, sem as amarras das divisões internas petistas, mas mantendo o diálogo com a base social da esquerda.

​Recentemente, em novembro de 2025, a articulação ganhou musculatura com a sinalização da Frente Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) em apoiar a candidatura de Requião Filho ao governo estadual. A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, tem sido peça-chave nesse “reencontro”, buscando unificar o campo progressista para enfrentar o favoritismo de Sergio Moro, que lidera as pesquisas de intenção de voto, mas carrega alta rejeição.

​O cenário eleitoral em números

​As últimas pesquisas divulgadas pelo Instituto Paraná Pesquisas e Quaest no final de 2025 mostram um cenário aberto:

Capital simbólico e o “Paraná mais humano”

​O discurso da campanha de Requião Filho tem se focado na memória das gestões do pai, Roberto Requião, mas com uma roupagem atualizada. Enquanto o ex-governador deve focar seus esforços em uma cadeira no Senado, o filho tenta atrair o eleitor insatisfeito com o “sistema” — termo que ele usa para descrever tanto a polarização nacional quanto a atual gestão estadual.

​A pauta central do grupo é a reestatização ou o fortalecimento de empresas públicas (como a Copel), o combate ao aumento de tarifas e a defesa de um projeto social focado na segurança alimentar e no agronegócio familiar.

​”Não somos o candidato do Palácio do Planalto, nem do Iguaçu. Nosso projeto é paranaense e humano”, declarou Requião Filho em evento recente em Curitiba.

​Desafios e alianças improváveis

​Apesar do avanço, o caminho não é livre de obstáculos. O governador Ratinho Júnior (PSD) mantém uma aprovação elevada (acima de 80% segundo a Quaest), o que dá fôlego aos nomes que ele vier a abençoar, como Rafael Greca ou o secretário Guto Silva. Além disso, a aliança PDT-PT no Paraná ainda precisa superar mágoas recentes da militância local.

​No entanto, o redesenho do tabuleiro mostra que a “velha política” paranaense não apenas reaparece, mas se renova ao ocupar o vácuo deixado pela dificuldade da esquerda tradicional em se estabelecer no estado. Com a marca Requião fortalecida e uma aliança ampla no horizonte, 2026 promete ser a eleição mais disputada das últimas décadas no Paraná.

1 COMMENTS

LEAVE A RESPONSE

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

WP2Social Auto Publish Powered By : XYZScripts.com