Requião Filho aciona investigação sobre conexão entre resorts no Norte Pioneiro, Nelson Tanure e o Banco Master

O deputado estadual Requião Filho (PDT) anunciou uma ofensiva para fiscalizar a origem e os desdobramentos de investimentos em resorts de luxo localizados no Norte Pioneiro do Paraná. A movimentação ocorre em meio à deflagração da segunda fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que mira o empresário Nelson Tanure e o Banco Master por suspeitas de fraudes financeiras bilionárias.

​A conexão Tanure-Copel

​O estopim da investigação solicitada pelo parlamentar reside na “teia” que une a privatização da Copel Telecom ao empresário Nelson Tanure. Em 2020, o fundo Bordeaux, controlado por Tanure, arrematou a estatal paranaense por R$ 2,4 bilhões. Recentemente, surgiram informações de que ativos e recursos ligados a essa estrutura estariam sendo redirecionados para empreendimentos imobiliários de alto padrão na região de Angra Doce, no Norte Pioneiro.

​Requião Filho, que tem sido uma das vozes mais críticas à gestão do governador Ratinho Júnior (PSD), questiona se houve favorecimento ou uso de estruturas financeiras sob investigação federal para viabilizar esses resorts.

​Operação Compliance Zero: Tanure no alvo da PF

​Na última quarta-feira (14 de janeiro de 2026), a Polícia Federal apreendeu o celular de Nelson Tanure no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro. O empresário, conhecido por comprar empresas em crise (como a Oi e a própria Copel Telecom, agora Ligga), é suspeito de se beneficiar de uma cadeia complexa de fundos de investimento ligada ao Banco Master, de Daniel Vorcaro.

​As investigações apontam para:

  • Fraudes bilionárias: O rombo investigado pode chegar a R$ 12 bilhões.
  • Lavagem de dinheiro: Suspeitas de que lucros obtidos por meio de operações irregulares no mercado financeiro tenham sido “lavados” em projetos imobiliários, incluindo os resorts citados por Requião Filho.
  • Conexões políticas: A operação ganha contornos dramáticos com a menção de que o ministro Dias Toffoli, do STF, é o relator do inquérito, ao mesmo tempo em que circulam denúncias sobre sua frequência em um desses resorts investigados.

​O papel da Assembleia Legislativa

​Requião Filho afirmou que enviará requerimentos de informações ao Governo do Estado e aos órgãos de controle (Tribunal de Contas e Ministério Público) para auditar os incentivos fiscais e as licenças concedidas aos resorts no Norte Pioneiro. “O Paraná não pode ser balcão de negócios para grupos investigados pela Polícia Federal por fraudar o sistema financeiro nacional”, declarou o deputado em suas redes sociais.

​Enquanto a defesa de Nelson Tanure nega irregularidades e afirma que suas operações são estritamente comerciais, o cenário político paranaense se incendeia com a possibilidade de o “Caso Master” expor as entranhas das privatizações e parcerias público-privadas da atual gestão estadual.

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