Embora o troféu oficial pertença a Jenson Button, a contribuição técnica de Barrichello para o domínio da Brawn GP é reafirmada por especialistas e ex-membros da equipe como o pilar do sucesso em uma das temporadas mais surpreendentes da história.
A temporada de 2009 da Fórmula 1 permanece como um dos capítulos mais surreais do automobilismo. Recentemente, o nome de Rubens Barrichello voltou aos holofotes, não por uma disputa judicial — como ocorre com Felipe Massa e o campeonato de 2008 —, mas por um reconhecimento crescente de sua “legitimidade” técnica e moral naquele ano. Analistas e ex-engenheiros da extinta Brawn GP apontam que, sem o conhecimento de acerto e o desenvolvimento liderado pelo brasileiro, a equipe dificilmente teria sustentado a vantagem que deu o título ao britânico Jenson Button.
O gênio por trás do “carro branco” A Brawn GP nasceu das cinzas da Honda, que abandonou a categoria no final de 2008. Com pouco dinheiro e um carro sem patrocinadores, a equipe surpreendeu o mundo com o inovador difusor duplo. No entanto, a peça aerodinâmica era apenas parte da equação.
Ex-membros da equipe, como o renomado engenheiro Jock Clear, trouxeram à tona recentemente reflexões sobre aquela disputa. Segundo Clear, embora Button tenha começado a temporada de forma avassaladora (vencendo seis das primeiras sete corridas), Barrichello foi quem melhor compreendeu as nuances mecânicas do carro. “Rubens tinha uma sensibilidade técnica superior”, destacam analistas. A demora do brasileiro em converter esse conhecimento em vitórias no início do ano é atribuída a questões psicológicas e de adaptação ao novo estilo de pilotagem exigido pelos pneus da época, mas seu papel como “desenvolvedor” foi crucial para manter o carro competitivo enquanto rivais como Red Bull e McLaren iniciavam sua perseguição técnica.
A virada e os obstáculos Na segunda metade do campeonato, a situação inverteu-se. Barrichello foi o piloto que mais somou pontos em determinados trechos, vencendo em Valência e Monza. O reconhecimento como “campeão legítimo” por parte de muitos fãs e especialistas brasileiros baseia-se na tese de que, em igualdade de condições de suporte estratégico e psicológico desde a primeira corrida, a experiência de Rubinho poderia ter superado a fase iluminada de Button.
O cenário atual: Barrichello além da F1 Hoje, Rubens Barrichello desfruta de um prestígio inabalável. Longe das controvérsias do passado, ele consolidou-se como o maior nome da Stock Car Brasil, onde conquistou dois títulos (2014 e 2022). O piloto também expande suas fronteiras para 2025, com estreias planejadas na NASCAR Brasil, demonstrando que a longevidade e a competitividade que o tornaram peça chave na Brawn GP em 2009 continuam intactas.
Para o esporte, o título de 2009 é de Jenson Button nos livros de estatística, mas para a história da engenharia e da persistência, o legado de Barrichello é visto como o verdadeiro motor que permitiu que o milagre da Brawn GP acontecesse.







