Investidores veem mudança como “dança das cadeiras” em cenário fiscal já precificado; Dario Durigan surge como nome de confiança para manter a política econômica atual
A confirmação de que Fernando Haddad deixará o Ministério da Fazenda ainda no início de 2026 não provocou os habituais solavancos no mercado financeiro. Embora a saída de um “posto ipiranga” costume gerar volatilidade, o sentimento na Faria Lima é de que o ciclo de Haddad cumpriu seu papel principal e que a estrutura deixada por ele oferece previsibilidade, mesmo diante de um cenário fiscal que ainda exige cautela.
O fator sucessão: Dario Durigan no radar
O principal motivo para a ausência de pânico é o nome do provável sucessor. O secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, é visto como o herdeiro natural e um garantidor da continuidade. Por ser o braço direito de Haddad, Durigan já possui trânsito livre no Congresso e é bem avaliado por grandes players do mercado por seu perfil técnico.
Para os investidores, a entrada de Durigan representa uma “solução caseira” que evita guinadas ideológicas na economia. “O mercado não vê a saída como uma ruptura, mas como uma transição planejada dentro de uma equipe que já demonstrou como trabalha”, avaliam analistas do setor.
Missão cumprida e foco em 2026
Haddad tem reiterado em entrevistas recentes, como à jornalista Míriam Leitão e ao portal UOL, que sua saída não visa uma candidatura própria em 2026. O ministro expressou o desejo de atuar na coordenação do projeto de país e na campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deixando a linha de frente da execução econômica após três anos de intenso desgaste, mas com entregas significativas, como a aprovação da Reforma Tributária e o desenho do novo Arcabouço Fiscal.
Desafios no horizonte
Apesar da calmaria na transição de nomes, o mercado mantém o sinal amarelo para o cenário fiscal. A estabilidade atual não significa um “cheque em branco”, mas sim que os investidores já precificaram os problemas estruturais — como a dificuldade em cumprir metas de déficit zero e o impacto de fatores externos, como a política econômica de Donald Trump nos Estados Unidos.
A saída de Haddad é lida como o fim de um capítulo técnico-político onde ele atuou como um “amortecedor” entre a ala desenvolvimentista do PT e o rigor exigido pelo mercado. Agora, o foco se volta para como o novo comando da Fazenda lidará com a pressão por gastos em um ano eleitoral.
Os pontos-chave da transição:
- Continuidade: Dario Durigan é o nome preferido para manter a agenda atual.
- Sem Ruídos: A saída foi antecipada e discutida abertamente, eliminando o fator surpresa.
- Foco Político: Haddad deve se dedicar à estratégia política de Lula, saindo do desgaste diário da economia.
- Credibilidade: O mercado foca mais nas instituições (Banco Central independente e regras fiscais) do que em personalidades individuais.




