A celebração da chegada de 2026 em Guaratuba, no litoral do Paraná, foi marcada por um cenário de indignação e transtornos. Pelo terceiro ano consecutivo, moradores e os mais de 500 mil turistas que escolheram o balneário para o Réveillon sofreram com a falta crônica de água. O problema, que se arrasta desde o dia 23 de dezembro, expõe falhas na infraestrutura da Sanepar e gera cobranças diretas ao governador Ratinho Júnior.
O “Réveillon a seco” e o caos nas residências
Embora a Sanepar tenha atribuído o agravamento da situação ao rompimento de uma adutora de grande porte na última segunda-feira (29), relatos colhidos pela reportagem indicam que o desabastecimento começou muito antes. Em diversos bairros, como Centro, Brejatuba, Cohapar e Coroados, as torneiras ficaram secas por dias, forçando veranistas a improvisarem banhos com água da chuva ou a buscarem bicas públicas.
”Todo ano é a mesma coisa. O governador exalta a obra da ponte, mas não resolve o básico, que é água na torneira”, desabafou uma moradora local. O contraste entre o investimento na Ponte de Guaratuba e a incapacidade de garantir o saneamento básico tornou-se o principal ponto de crítica nas redes sociais e entre comerciantes, que precisaram fechar as portas em plena temporada de alto faturamento.
A resposta da Sanepar e do Governo
A Sanepar informou que mobilizou uma força-tarefa, incluindo o uso de helicópteros para transporte de insumos e escolta policial para agilizar reparos. Segundo a companhia, a estratégia atual foca na “gestão de pressão”, o que, na prática, significa reduzir a força da água em determinados períodos para recuperar os reservatórios.
Entretanto, quando o abastecimento começa a ser retomado, uma nova reclamação surge: a qualidade da água. Consumidores relatam que o líquido tem chegado às casas com coloração escura, turbidez elevada e, em alguns casos, gosto salgado.
Até o momento, o Governo do Estado não emitiu uma nota oficial detalhada sobre a recorrência do problema no litoral. Enquanto isso, o deputado estadual Ney Leprevost anunciou que pretende convocar uma audiência pública logo após o recesso parlamentar para exigir explicações da diretoria da Sanepar e cobrar investimentos reais que impeçam a repetição desse cenário em 2027.
Impacto no turismo
O prejuízo econômico é incalculável. Hotéis e casas de aluguel registraram cancelamentos e partidas antecipadas de turistas frustrados. Para muitos, a “Virada em Guaratuba” tornou-se sinônimo de falta de higiene e descaso público, manchando a imagem de um dos destinos mais tradicionais do Paraná.
A previsão da Sanepar é de que o sistema seja normalizado gradualmente, mas o alerta de “novas interrupções temporárias na pressão” permanece ativo, mantendo a população em estado de vigilância e desconfiança.







