Denuncia

São Paulo registra 11 mortes por intoxicação por metanol e Polícia Civil fecha o cerco contra fábrica clandestina no ABC

A Secretaria Estadual da Saúde (SES) de São Paulo confirmou, nesta quarta-feira (17), a 11ª morte decorrente da ingestão de bebidas alcoólicas adulteradas com metanol. A vítima mais recente é um homem de 62 anos, residente em São Bernardo do Campo, que faleceu após ser socorrido pelo SAMU com sintomas graves de intoxicação.

​O surto, que mobiliza autoridades sanitárias e de segurança desde o segundo semestre de 2025, já contabiliza 51 casos confirmados no estado, além de centenas de notificações que seguem sob monitoramento.

​Investigações e principais envolvidos

​A Polícia Civil de São Paulo, por meio da Delegacia de Investigações sobre o Meio Ambiente (Dicma), identificou o que pode ser o epicentro da distribuição do produto tóxico: uma fábrica clandestina administrada por uma família na região do ABC Paulista.

​De acordo com o inquérito:

  • Modus Operandi: Os suspeitos adquiriam etanol adulterado com metanol de dois postos de combustíveis da região, utilizando a substância como matéria-prima para a fabricação de bebidas falsificadas.
  • Apreensões: Em operações recentes, a força-tarefa estadual apreendeu mais de 100 mil vasilhames vazios de marcas conhecidas de gin, vodca e uísque, prontos para serem reutilizados e comercializados.
  • Fiscalização: Seis estabelecimentos comerciais foram interditados preventivamente na capital (bairros como Jardins e Bela Vista) e na Grande São Paulo.

​O cenário das vítimas

​As 11 mortes confirmadas até o momento estão distribuídas geograficamente por diversos municípios paulistas, evidenciando a capilaridade da distribuição ilícita:

  • São Paulo (Capital): 4 óbitos.
  • Osasco: 3 óbitos.
  • São Bernardo do Campo: 2 óbitos.
  • Jundiaí e Sorocaba: 1 óbito cada.

​Outros quatro óbitos seguem em investigação nas cidades de Cajamar, Guariba e São José dos Campos, aguardando laudos periciais do Instituto Médico Legal (IML).

​Alerta à população e sintomas

​O metanol é um álcool industrial extremamente tóxico para seres humanos. Diferente do etanol (álcool etílico), sua ingestão pode causar cegueira irreversível, falência renal e morte em poucas horas. No dia 16 de dezembro, a CPI do Metanol na Câmara Municipal de São Paulo ouviu vítimas que sobreviveram, mas que hoje convivem com a perda total da visão.

Sintomas de alerta: Dores abdominais intensas, tontura, confusão mental e turvação visual. As autoridades reforçam que o atendimento médico nas primeiras 6 horas é crucial para a administração de antídotos.

​A orientação da Vigilância Sanitária permanece rígida: consumidores devem evitar bebidas sem rótulo, com lacres rompidos ou preços excessivamente abaixo do mercado, priorizando estabelecimentos de confiança até que toda a rede de distribuição clandestina seja desmantelada.

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