O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) utilizou recursos da cota parlamentar do Senado Federal para financiar compromissos de sua recém-anunciada pré-candidatura à Presidência da República em 2026. O parlamentar participou de uma série de encontros com a elite financeira na capital paulista, em uma ofensiva para reduzir a resistência do mercado — a chamada “Faria Lima” — ao seu nome.
De acordo com dados do Portal da Transparência do Senado, foram emitidas passagens aéreas e custeados deslocamentos para o senador e assessores em datas que coincidem com sua agenda de pré-campanha em São Paulo. Em dezembro de 2025, o senador intensificou suas idas à capital paulista, incluindo almoços no banco UBS e reuniões com grandes empresários de setores como varejo e siderurgia.
A estratégia do “Bolsonaro moderado”
As movimentações de Flávio buscam reposicioná-lo como uma alternativa viável e “mais centrada” em relação ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em reuniões com cerca de 30 clientes de alto patrimônio e executivos de empresas como Riachuelo e Gerdau, o senador defendeu um plano econômico baseado em um “ajuste fiscal duro” focado no corte de despesas, e não no aumento de arrecadação.
”Sempre pediram um Bolsonaro mais moderado. Eu sempre fui assim”, afirmou o senador durante um desses encontros. Flávio tem sido aconselhado por nomes conhecidos do mercado, como o ex-secretário de política econômica de Paulo Guedes, Adolfo Sachsida, e o ex-presidente do BNDES, Gustavo Montezano, na tentativa de ganhar credibilidade junto aos investidores.
Candidatura ou moeda de troca?
Apesar da intensidade da agenda, a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro é vista com cautela por analistas e aliados. O próprio senador deu declarações ambíguas recentemente, afirmando que sua desistência teria um “preço”: a anistia para Jair Bolsonaro e sua reabilitação política.
”O meu preço é o Bolsonaro livre e nas urnas”, declarou Flávio à imprensa, sugerindo que o projeto presidencial pode servir como instrumento de pressão política para garantir a segurança jurídica da família e aliados envolvidos nos atos de 8 de janeiro e outras investigações.
Reação e histórico
O uso de verba pública para fins eleitorais tem gerado críticas e pedidos de fiscalização por parte da oposição. Este não é o primeiro episódio em que o senador se vê envolvido em polêmicas com a cota parlamentar; em 2020, Flávio precisou devolver valores referentes a passagens para Fernando de Noronha após a viagem ser identificada como particular.
Enquanto Flávio tenta se consolidar, o mercado financeiro monitora com atenção o desempenho do senador nas pesquisas. Levantamentos recentes da Quaest mostram que ele é competitivo, aparecendo em segundo lugar em diversos cenários, atrás apenas do presidente Lula, o que aumenta seu poder de barganha nas negociações com o Centrão e pressiona nomes como o do governador Tarcísio de Freitas, favorito de parte do mercado.







