O debate em torno do fim da escala de trabalho 6×1 ganhou novos desdobramentos políticos no Paraná, transformando-se em peça central nas articulações para a disputa eleitoral. O senador Sergio Moro decidiu alinhar sua atuação política à posição da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), trazendo a oposição à derrubada da jornada tradicional para o centro de sua plataforma e composição de chapa no estado.
A movimentação ocorre após a Câmara dos Deputados aprovar o texto-base para o fim gradual da escala 6×1. Em reação imediata à proposta aprovada pelos deputados, Moro, juntamente com o senador Oriovisto Guimarães, assinou o apoio à chamada “PEC do Trabalho Flexível”, de autoria do senador Rogério Marinho. Essa proposta alternativa visa garantir a livre negociação de jornadas e acordos diretos entre patrões e empregados, abrindo caminho para escalas adaptáveis de acordo com o setor produtivo.
A postura de Moro reflete as preocupações manifestadas pelas principais lideranças empresariais paranaenses. A Fiep, em conjunto com cerca de 3 mil entidades patronais de todo o país, divulgou uma carta de apoio à flexibilização. Segundo a federação, o prazo de transição estabelecido no projeto aprovado pela Câmara é considerado insuficiente para que a indústria e o comércio consigam se reorganizar sem sofrer graves prejuízos econômicos. Estudos apresentados pelo setor indicam que a redução abrupta da jornada, sem uma contrapartida no aumento da produtividade nacional, pode encarecer a folha de pagamento e gerar demissões.
Ao encampar a defesa do empresariado e criticar o texto aprovado na Câmara sob o argumento de que “a conta não fecha” para a economia, Sergio Moro consolida um discurso de oposição ao governo federal e atrai o apoio de setores industriais e comerciais do Paraná. A estratégia insere definitivamente o tema da flexibilização trabalhista nas diretrizes programáticas de sua chapa majoritária para as próximas eleições.
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