Paraná

Sertanejo domina verbas públicas no Paraná em meio a críticas de financiamento estatal

​O cenário cultural do Paraná está no centro de um intenso debate sobre a destinação de recursos públicos. Enquanto uma parcela significativa da população e dos próprios artistas costuma criticar mecanismos federais de incentivo, como a Lei Rouanet, o montante investido pelo governo estadual em shows de duplas sertanejas ultrapassou a marca de R$ 10 milhões.

​A polêmica reside na contradição ideológica e na concentração de renda: mais da metade do orçamento previsto para o incentivo à cultura no estado foi direcionado a grandes nomes do sertanejo nacional, em detrimento de produções regionais ou de menor porte.

​Cifras astronômicas e o contraste com a Lei Rouanet

​O levantamento de dados aponta que as duplas sertanejas contratadas pelo estado receberão, em média, R$ 800 mil por apresentação. O valor é considerado exorbitante por especialistas do setor cultural, especialmente quando comparado ao teto de projetos de artistas locais que dependem de editais concorridos.

​A ironia apontada por críticos e opositores é que o público e os artistas que mais se beneficiam desses cachês pagos diretamente pelo tesouro estadual são, muitas vezes, os mesmos que classificam a Lei Rouanet como “mamata”.

Diferença Técnica: Enquanto a Lei Rouanet utiliza a renúncia fiscal (empresas decidem onde aplicar parte do imposto), os shows sertanejos no Paraná estão sendo pagos com verba direta do orçamento público, o que teoricamente retira recursos de áreas como saúde e educação para o pagamento imediato de cachês.

​Letras “ousadas” sob o crivo do dinheiro público

​Além do debate financeiro, o conteúdo artístico das apresentações também gera questionamentos. Músicas com letras de apelo comercial e teor sexual explícito estão sendo financiadas com dinheiro do contribuinte. Um exemplo citado é a dupla Israel & Rodolffo, que apresenta sucessos como:

“Na cama, cê tem talento / Cê manja dos movimento / Tem de tudo, só não tem sentimento.”

​Para setores da sociedade civil, o investimento de milhões em letras desse gênero levanta a dúvida: qual o retorno cultural e educativo que o estado busca ao privilegiar o entretenimento de massa em vez de fomentar a diversidade artística paranaense?

​Atualizações: O movimento do setor cultural

​De acordo com as movimentações mais recentes no estado (janeiro de 2026):

  • Pressão nos Editais: Coletivos de cultura do Paraná estão protocolando pedidos de transparência para entender os critérios de seleção desses grandes shows frente ao corte de verbas em museus e bibliotecas estaduais.
  • Resposta do Governo: A gestão estadual defende que esses eventos fomentam o turismo local e movimentam a economia das cidades do interior, justificando o alto investimento como “estratégia de lazer e desenvolvimento regional”.
  • Fiscalização: O Tribunal de Contas tem monitorado os gastos com eventos festivos para evitar o superfaturamento em prefeituras e órgãos estaduais, prática que tem sido alvo de investigações em diversos estados brasileiros.

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